E por isso, descuramos muitas vezes a prevenção…
Não é por mal, é mesmo por não nos darmos conta de que as nossas atitudes contam… para o bem e para o mal.
Esquecemo-nos muitas vezes de que “Mais vale prevenir do que remediar”…
E isto refere-se a todos os aspetos da nossa vida.
No nosso mundo imperfeito, a nossa atitude importa, para tudo!
Vejamos: vivemos num país lindo, com um clima fabuloso, uma gastronomia de fazer inveja a qualquer outro país, uma cultura rica, variada, resultado das influências de todos os povos que aqui viveram antes de nós e também de todos os que cá vivem hoje, somos de um modo geral um povo afável e que sabe receber… mas … e os cuidados de saúde?
Se pensarmos bem, talvez não sejam assim tão maus: os cuidados de saúde no nosso país, são tendencialmente gratuitos nos centros de saúde e hospitais do Serviço Nacional de Saúde (Lei 95/2019). Entre os grupos isentos de taxas moderadoras, contam-se as crianças e jovens até aos 18 anos de idade, grávidas e parturientes, pessoas com deficiência, insuficiência económica, desempregados, entre outros. Temos um Programa Nacional de Vacinação universal, gratuito para todas as pessoas presentes em Portugal…
Contudo, ouvimos diariamente nas notícias via rádio ou televisão, que as urgências hospitalares não funcionam, por falta de profissionais, que há horas de espera inimagináveis para quem precisa de ser atendido por situações urgentes de saúde…
Ora, não basta estalar os dedos para termos o número de profissionais de saúde de que necessitamos na atualidade. A formação de profissionais de saúde (médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas, radiologistas, etc.), é morosa: a Licenciatura em Medicina dura 6 anos e todas as outras Licenciaturas na área da saúde, duram 4 anos. E quanto mais desenvolvida está a ciência, quanto maior a nossa longevidade, maior é o número de profissionais de que necessitamos para colmatar as necessidades reais, porque na saúde, quanto maior a oferta, maior é a procura…
E não podemos fazer nada?
Podemos, sim! Temos algo a dizer e a fazer!
Podemos aprender e ensinar a prevenir ao longo da nossa vida…
Prevenir importa desde que somos pequeninos, através dos hábitos de vida que adquirimos. Quanto mais saudáveis forem os nossos hábitos de vida, menos vezes precisaremos de nos deslocar aos hospitais…
Prevenir permite antecipar os riscos que todos podemos correr e é particularmente importante nos riscos que decorrem do estadio de desenvolvimento de cada pessoa. Nos extremos da linha da vida, os bebés correm riscos, porque não têm conhecimentos dos perigos e estão a desenvolver-se do ponto de vista cógnito e psicomotor; as pessoas mais velhas (pessoas maiores, como dizem e muito bem os nossos vizinhos-irmãos de Espanha) por diminuição natural da sua acuidade auditiva e visual, flexibilidade, do seu equilíbrio, entre outros.
Prevenir acidentes, por exemplo, que está ao alcance de todos, contribui para uma melhor saúde ao longo da vida e contribui também para a diminuição do número de idas aos Serviços de Urgência e para a diminuição da utilização dos meios de Socorro e Emergência.
Como?
Pensemos por exemplo no tráfego rodoviário… quantos acidentes evitáveis ocorrem por incúria de quem anda na estrada? Por excesso de velocidade, por incumprimento das regras mais básicas de trânsito (como não ultrapassar numa linha contínua…), por não fazer um pisca quando é necessário mudar de faixa ou de ultrapassar, por passar num sinal verde/ tinto, pela condução sob o efeito do álcool ou estupefacientes…
E o que dizer quando verificamos que inúmeros motociclistas e ciclistas não utilizam capacete de proteção, ou andam de chinelos em motos, bicicletas, ou falam ao telemóvel…
E o que dizer dos nossos concidadãos que utilizam a trotinete sem cumprir uma única regra de trânsito, a velocidades estonteantes, com auscultadores na cabeça?
Claro que, em todas as situações que referi acima, se há um acidente, a pessoa acidentada vai necessitar (no melhor dos casos) de inúmeros cuidados de saúde, numa Urgência hospitalar. E essas situações eram ou não evitáveis? Claro que sim!!!
Recordo-me de quando os meus filhos eram pequenos, havia uma forte campanha da APSI (Associação para a Promoção da Segurança Infantil), a promover a utilização de capacetes, joelheiras e cotoveleiras para as crianças quando andavam de bicicleta, patins ou skate e, de repente, eis que constato que centenas de jovens e adultos, homens e mulheres, andam nas suas motorizadas sem capacete… O capacete não tem o objetivo de enfeitar a cabeça; o seu objetivo é prevenir e minimizar os danos cerebrais em caso de acidente. O capacete pode salvar vidas… (E cumprir as regras de trânsito também ajuda a salvar vidas). A APSI também promoveu e continua a promover a utilização de cadeiras de retenção nos automóveis, imprescindíveis para bebés e crianças… contudo, ainda vejo muitas crianças a saltitar nos bancos dos carros, enquanto os seus pais conduzem descansados… com os seus cintos de segurança colocados!
Outros acidentes que podemos prevenir, para não ter de chorar, são os acidentes que ocorrem nas praias e piscinas. O afogamento é silencioso e rápido. Estamos no verão e não há nenhum verão em que não existam afogamentos ou pré-afogamentos. Cada vida humana conta! E só precisamos de seguir à risca as indicações constantes nas praias, respeitar os sinais de acesso à água e vigiar as crianças, quer na praia, quer em casa, na piscina ou na banheira da casa de banho. Tudo isto, que só nos custa atenção, ajuda a que os nossos serviços de saúde (Urgência e Emergência) possam ser utilizados para situações que não foi possível prevenir…
E, por outro lado, também podemos prevenir muitas doenças e o desenvolvimento de muitas outras, através da vacinação e de hábitos de vida saudáveis, onde entra em primeiro lugar a alimentação, a hidratação, o exercício físico, uma vida social adequada, promovendo a saúde mental, a abstenção de hábitos nocivos como o uso de tabaco, álcool e outras drogas e aderirmos aos rastreios das várias situações nefastas que podem surgir ao longo da vida.
… porque, embora contemos sempre com a proteção divina (mesmo que não acreditemos em Deus), nós também podemos ajudar muito!
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