A reciclagem de materiais vai deixar de ser apenas uma boa ação ambiental para se transformar num ato financeiramente rentável para o cidadão comum. O novo sistema de depósito promete que as embalagens vazias vão deixar de ser lixo e passar a valer dinheiro numa questão de dias.
A resposta para esta verdadeira revolução ambiental marca um regresso ao conceito tradicional da antiga tara recuperável estreada nas décadas de sessenta. Refere o jornal Expresso que o sistema nacional entra em funcionamento no dia 10 de abril e abrangerá exclusivamente vasilhames de plástico e latas de alumínio de utilização única.
O custo extra e o modo de devolução
As bebidas enquadradas neste novo modelo vão sofrer um agravamento automático de dez cêntimos no seu preço final cobrado nas caixas de supermercado. Indica a mesma fonte que este valor extra funcionará como uma caução que o consumidor apenas conseguirá recuperar no exato momento da devolução.
As entregas terão de ser realizadas em máquinas automáticas específicas que estarão espalhadas pelas grandes superfícies comerciais de todo o país. O vasilhame terá de ser introduzido no equipamento completamente vazio e manter intacto o seu código de barras original para que a leitura ótica possa validar a transação.
As formas de receber o dinheiro de volta
Os equipamentos eletrónicos de recolha não vão distribuir qualquer tipo de dinheiro físico durante a entrega do material reciclável por parte do consumidor. Explica a referida fonte que as máquinas emitirão um talão correspondente ao número de unidades devolvidas com o cálculo exato do valor acumulado.
O cidadão tem depois a total liberdade de descontar esse papel em compras no próprio estabelecimento ou de exigir a troca direta por dinheiro nas caixas de pagamento. O sistema permite ainda a acumulação destes valores em cartões de fidelização das lojas ou a simples doação do montante recolhido a diversas instituições de solidariedade social.
As exceções e os materiais excluídos
O processo logístico impõe regras rígidas quanto ao estado de conservação do produto que inviabilizam a aceitação de embalagens amolgadas ou intencionalmente espalmadas. As garrafas de vidro e os garrafões de plástico de grande capacidade ficam totalmente de fora das diretrizes aprovadas por esta rede ambiental.
Os recipientes que tenham contido qualquer tipo de bebida com mais de vinte e cinco por cento de origem láctea na sua composição serão igualmente rejeitados. A presença de resíduos orgânicos associados a derivados do leite prejudica de forma severa a pureza exigida no final do ciclo de processamento industrial.
O destino do material e o impacto no país
A recolha destas unidades segue diretamente para dois grandes centros de triagem desenhados para processar e transformar estes polímeros em matéria-prima secundária de alta qualidade. Explica ainda o Expresso que este novo composto será reintroduzido no mercado para a produção rápida e segura de novas garrafas destinadas ao uso alimentar.
As previsões governamentais apontam para o processamento de mais de dois mil milhões de embalagens logo no primeiro ano civil de operacionalização do modelo. A implementação deste sistema em território luso representa o primeiro grande ensaio para a adoção desta tecnologia ambiental no sul da Europa.
















