A Villa Extramuros, unidade de alojamento local situada em Arraiolos, encerrou definitivamente portas após 15 anos de atividade, numa decisão anunciada pelos proprietários, um casal francês que escolheu o Alentejo para desenvolver um projeto turístico que ganhou notoriedade dentro e fora de Portugal. De acordo com o jornal Expresso, o encerramento acontece depois da venda do imóvel, numa altura em que o espaço tinha acabado de integrar a lista de hotéis distinguidos com uma chave Michelin em Portugal.
A notícia foi partilhada pelos fundadores, Jean-Christophe Lalanne e François Savatier, através das redes sociais do alojamento. Na mensagem, o casal explicou que a decisão surge no contexto da reforma e do regresso a França. “Depois de 15 anos nesta bonita região do Alentejo, gostaríamos de vos informar que vamos encerrar a Villa Extramuros”, escreveram os proprietários, numa publicação onde acrescentam: “vamos reformar-nos”.
Projeto discreto que ganhou notoriedade
A Villa Extramuros abriu em 2011 com um conceito diferente daquele que predominava na região na altura. Com apenas sete quartos, apostou num modelo de pequena escala, focado na arquitetura, no silêncio e na integração com a paisagem alentejana. Segundo a mesma fonte, esse posicionamento ajudou a consolidar o espaço como uma referência no segmento boutique, atraindo hóspedes que procuravam experiências mais reservadas e personalizadas.
Em 2025, o alojamento foi incluído entre os 55 hotéis portugueses distinguidos com uma chave Michelin, uma classificação que avalia diferentes critérios ligados à experiência global oferecida aos hóspedes. Entre esses critérios estão a capacidade do hotel funcionar como porta de entrada para o destino, a qualidade da arquitetura, a consistência do serviço e a autenticidade da proposta, refere a publicação.
Arquitetura inspirada na identidade local
Um dos elementos que ajudou a definir a identidade da Villa Extramuros foi a sua linguagem arquitetónica. O próprio site do alojamento explica que a inspiração partiu de referências romanas, conventuais e das construções tradicionais do sul do país. A decoração procurou valorizar materiais associados ao Alentejo, como a pedra mármore, a cortiça e as paredes caiadas, criando uma ligação direta ao território e ao património local.
Outro dos pontos centrais do projeto foi a envolvente natural. Inserida numa propriedade com cinco hectares de olival, a unidade incluía uma piscina integrada na paisagem, elemento frequentemente destacado pelos visitantes. O imóvel deverá agora ter uma nova função. Conforme o Expresso, os novos proprietários pretendem converter o espaço para uso habitacional, encerrando assim um ciclo ligado ao turismo.
Na despedida, os fundadores afirmaram que deixam o projeto sem arrependimentos. “Foi uma aventura maravilhosa. Tivemos encontros fantásticos e muitos momentos felizes com os nossos hóspedes”, escreveram. Com o encerramento da Villa Extramuros, desaparece um dos projetos que ajudaram a diversificar a oferta turística do interior alentejano, numa fase em que o setor continua em transformação.
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