Depois de vários dias de calor intenso, Portugal continental prepara-se para uma mudança no estado do tempo. A mais recente projeção do modelo europeu aponta para temperaturas mais fresca a partir de quinta-feira, mas também para uma maior instabilidade atmosférica no final da semana.
Segundo Alfredo Graça, da Meteored, as regiões do litoral deverão começar a registar temperaturas mais próximas do normal para julho, enquanto o interior continuará quente, embora com um alívio evidente face aos valores extremos dos últimos dias.
Temperaturas descem a partir de quinta-feira
A primeira fase da descida das temperaturas deverá ocorrer entre quinta e sexta-feira, dias 9 e 10 de julho. Este alívio será gradual, mas deverá tornar-se mais significativo durante o fim de semana.
Na sexta-feira, a Meteored prevê temperaturas máximas entre 19 ºC e 26 ºC no litoral. No interior, os valores deverão situar-se, em geral, entre 30 ºC e 35 ºC, ainda assim abaixo do calor extremo sentido nos últimos dias.
Interior continua mais quente
Apesar da descida, algumas zonas do interior poderão continuar com temperaturas elevadas. Localidades nos vales dos rios Douro e Guadiana podem superar os 35 ºC e atingir, pontualmente, valores entre 36 ºC e 39 ºC.
Ou seja, o calor não desaparece por completo. A diferença é que deixa de ser tão generalizado e extremo, passando a concentrar-se mais nas zonas interiores e nos vales tradicionalmente mais quentes.
Ar fresco chega do Atlântico
A mudança deverá resultar de uma alteração na circulação atmosférica. De acordo com o modelo ECMWF, usado pela Meteored, a massa de ar extremamente quente associada à crista anticiclónica deverá deslocar-se para leste e nordeste.
Com esse desvio, Portugal continental ficará mais exposto à entrada de uma massa de ar mais fresca e húmida vinda do Atlântico Norte. Esta massa de ar deverá chegar impulsionada por ventos dos quadrantes norte e oeste.
Gota fria pode formar-se ao largo da costa
Entre sexta-feira e sábado, dias 10 e 11 de julho, a ondulação mais pronunciada da corrente de jato polar deverá favorecer o isolamento de uma depressão em altitude ao largo da costa ocidental de Portugal continental e da Galiza.
Este fenómeno é conhecido como gota fria. Na prática, trata-se de uma bolsa de ar frio em altitude, separada da circulação principal da atmosfera, que pode aumentar a instabilidade e favorecer a formação de aguaceiros e trovoadas.
Trovoadas podem surgir no interior
A Meteored aponta para um aumento da instabilidade durante as tardes de sexta-feira e sábado. O risco será mais elevado no interior Norte e Centro, embora não se exclua a possibilidade de episódios mais a sul.
As zonas mais prováveis incluem áreas dos distritos de Vila Real, Bragança, Guarda e Castelo Branco, além de áreas montanhosas do Minho. A Beira Baixa e o interior alentejano também poderão ser afetados de forma mais ocasional.
Aguaceiros podem ser fortes e irregulares
A precipitação prevista deverá ser convectiva, ou seja, associada ao desenvolvimento de nuvens de evolução diurna. Este tipo de aguaceiro é muito irregular: pode atingir uma localidade com intensidade e deixar outra, próxima, praticamente sem chuva.
As acumulações deverão ser, em geral, pouco expressivas, mas poderão chegar a valores entre 5 e 15 milímetros em algumas zonas do interior Norte e Centro. Ainda assim, o principal risco estará na intensidade local dos episódios.
Granizo não está excluído
Além de aguaceiros e trovoada, a Meteored não exclui a possibilidade de queda de granizo. Este risco surge devido ao contraste entre o ar frio em altitude e o ar quente que continuará presente à superfície durante as horas de maior aquecimento.
Esse forte gradiente térmico vertical, juntamente com o aumento de humidade, pode favorecer a formação de nuvens mais desenvolvidas. Em casos localizados, estas trovoadas podem ser fortes e causar danos em culturas agrícolas.
Noites também devem ficar mais amenas
A descida das temperaturas deverá sentir-se não só durante o dia, mas também durante a noite. O efeito será mais evidente no litoral, onde o ambiente deverá ficar substancialmente mais fresco e próximo do habitual para julho.
Para quem vive nas zonas costeiras, a mudança pode trazer algum alívio depois de noites quentes e desconfortáveis. No interior, a descida será sentida, mas o calor continuará a exigir cuidados.
Fim de semana com tempo mais instável
O cenário previsto para o fim de semana combina dois elementos: temperaturas mais suportáveis e maior instabilidade atmosférica. Isto significa que o calor extremo perde força, mas o risco de trovoadas aumenta em algumas regiões.
A evolução deve continuar a ser acompanhada, sobretudo no interior Norte e Centro, onde a atividade elétrica poderá surgir a partir do meio-dia e intensificar-se durante a tarde. Depois de uma onda de calor marcada por valores muito elevados, Portugal prepara-se agora para uma mudança de tempo com ar mais fresco, mas também com aguaceiros e trovoadas à mistura.
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