Portugal continental prepara-se para uma nova vaga de calor extremo nos próximos dias, com temperaturas a subir de forma significativa e valores que poderão ultrapassar os 40 ºC em várias zonas do interior. As regiões Centro e Sul deverão estar entre as mais afetadas.
Segundo o especialista em alterações climáticas Duarte Costa, citado pela SIC Notícias, a intensidade deste episódio poderá ficar muito acima do habitual. A fase mais severa deverá começar na sexta-feira e prolongar-se pelo fim de semana.
Anomalia muito acima do normal
De acordo com os critérios do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, uma onda de calor ocorre quando a temperatura máxima fica pelo menos cinco graus acima da média para a época durante cinco dias consecutivos.
Duarte Costa explicou que, neste caso, alguns cenários apontam para uma anomalia muito superior. Segundo o especialista, uma diferença de 20 graus face ao habitual representa quatro vezes mais do que o limiar usado para definir uma onda de calor.
A subida já deverá fazer-se sentir antes do fim de semana. Para quarta-feira, o especialista apontava para valores na ordem dos 38 ºC, com maior preocupação no Alentejo, Médio Tejo e interior do país.
Interior em maior risco
O litoral deverá sentir menos o impacto do calor extremo, mas o interior enfrenta uma situação mais preocupante. As zonas afastadas da influência marítima deverão registar as temperaturas mais elevadas.
Durante o fim de semana, a subida poderá acentuar-se ainda mais, sobretudo no interior Sul. Em alguns modelos meteorológicos, os valores previstos aproximam-se de níveis extremos e pouco comuns em Portugal.
Duarte Costa referiu mesmo que há modelos a apontar para temperaturas perto dos 50 ºC. Ainda assim, estes cenários devem ser acompanhados com prudência, uma vez que as previsões podem ajustar-se nos próximos dias.
Calor é risco para a saúde
O especialista alertou também para o impacto do calor extremo na saúde pública. Segundo Duarte Costa, o calor é o fenómeno climático com maior impacto na mortalidade.
O alerta ganha peso quando se recordam os dados da Direção-Geral da Saúde relativos a 2025. Durante a onda de calor registada entre 17 de julho e 15 de agosto desse ano, foi estimado um excesso de 1.331 mortes.
Idosos, crianças, pessoas com doenças crónicas, trabalhadores ao ar livre e pessoas isoladas estão entre os grupos mais vulneráveis. Também quem vive em casas pouco preparadas para temperaturas elevadas pode estar em risco acrescido.
Cuidados a ter nos próximos dias
Durante períodos de calor intenso, é importante beber água regularmente, evitar exposição solar nas horas de maior calor e reduzir esforços físicos ao ar livre. A utilização de roupa leve e a permanência em locais frescos também ajudam a diminuir o risco.
As autoridades recomendam ainda atenção redobrada a familiares, vizinhos ou pessoas vulneráveis que possam precisar de apoio. Em caso de sintomas como tonturas, confusão, fraqueza intensa ou pele muito quente, deve ser procurada ajuda médica.
O calor extremo pode também aumentar o risco de incêndio rural, sobretudo em zonas secas e com vento. Por isso, a evolução das temperaturas deverá ser acompanhada em conjunto com os avisos oficiais.
Nos próximos dias, Portugal deverá entrar numa fase de maior exigência meteorológica. A recomendação é acompanhar as atualizações do IPMA e adotar medidas preventivas antes da chegada do pico de calor.
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