A meio de julho, Portugal continental continua a viver uma situação invulgar em comparação com boa parte da Europa. Enquanto países como Espanha, França e Itália enfrentam calor intenso em várias regiões, o território nacional tem beneficiado de temperaturas mais baixas do que o habitual para esta altura do ano, sobretudo devido à influência do Atlântico.
De acordo com a Meteored, este contraste resulta de um padrão atmosférico que se tem repetido nas últimas semanas. Depressões isoladas em altitude, associadas a bolsas de ar frio, têm permanecido a oeste da Península Ibérica e ajudado a canalizar ar tropical marítimo para Portugal continental. Ao mesmo tempo, a circulação atmosférica favorece a subida de ar quente e seco do Norte de África para a zona do Mediterrâneo, onde as temperaturas têm sido bastante mais elevadas.
Por que está Portugal mais fresco do que parte da Europa
A explicação está na posição destas bolsas de ar frio e na forma como interagem com outros centros de ação atmosférica. Quando ficam mais a oeste, podem impulsionar calor africano para Portugal. Mas, quando se deslocam ou permanecem mais a leste, esse calor concentra-se sobretudo na metade oriental da Península Ibérica e em países mediterrânicos, deixando Portugal mais exposto à influência marítima.
Segundo a Meteored, a nortada, a proximidade ao Atlântico e o fenómeno de upwelling, que favorece a subida de águas mais frias à superfície junto à costa, têm ajudado a travar a subida das temperaturas, sobretudo no litoral. A reduzida largura do território continental, com cerca de 200 quilómetros entre a costa e a fronteira em muitas zonas, também facilita a entrada dessa influência atlântica.
É por isso que, mesmo no interior, onde o calor costuma ser mais acentuado, Portugal se tem mantido mais ameno do que várias regiões de Espanha, França ou Itália. O contraste térmico é particularmente visível quando se compara o território nacional com áreas como o leste espanhol, o sul de França, as Ilhas Baleares, a Córsega, a Sardenha e várias regiões italianas.
Temperaturas abaixo da média até sexta-feira
Entre esta quarta-feira, 15 de julho, e sexta-feira, 17, deverá manter-se o padrão de frescura atlântica. Os mapas de anomalia térmica da Meteored apontam para valores entre 1 e 3 graus abaixo da média climatológica, sinal de que a bolsa de ar frio continuará a influenciar o estado do tempo em Portugal continental.
Durante este período, mesmo nas zonas tradicionalmente mais quentes, as máximas deverão ficar abaixo dos 35 graus. No litoral, são esperados valores entre 19 e 28 graus, enquanto no interior as temperaturas máximas deverão variar, em geral, entre 28 e 34 graus. Para meados de julho, trata-se de um cenário relativamente ameno, sobretudo quando comparado com o calor registado noutras zonas da Europa.
Este comportamento não significa ausência de calor em todo o país, mas mostra que Portugal continental continuará, durante alguns dias, a beneficiar da circulação atlântica. A situação deverá, contudo, começar a mudar durante o fim de semana.
Calor regressa no fim de semana
As previsões mais recentes do modelo ECMWF, citadas pela Meteored, apontam para uma subida gradual das temperaturas no fim de semana de 18 e 19 de julho. No sábado, a subida deverá ser ainda moderada, mas no domingo o aquecimento poderá tornar-se mais evidente, sobretudo no interior.
Para domingo, 19 de julho, já são esperadas máximas entre 35 e 40 graus em várias zonas do país. Entre as áreas mais expostas ao calor estarão os vales do Douro e do Guadiana, a Beira Alta, a Beira Baixa, o Alentejo e o Sotavento Algarvio.
Os mapas de anomalia térmica indicam que, nessa altura, as temperaturas poderão ficar entre 2 e 4 graus acima da média em várias regiões, podendo atingir localmente desvios de 5 ou 6 graus no interior Norte. No Algarve, alguns pontos poderão mesmo registar anomalias mais elevadas, próximas dos 9 graus.
Ainda assim, nem todo o país deverá aquecer da mesma forma. Algumas zonas da faixa costeira ocidental, em especial no litoral Norte entre Viana do Castelo e Ovar, poderão continuar com temperaturas mais baixas do que o habitual, devido à persistência da influência marítima.
Mudança resulta do afastamento da bolsa de ar frio
A alteração prevista para o fim de semana estará ligada ao afastamento da bolsa de ar frio que tem permitido a entrada de ar tropical marítimo em Portugal continental. Ao mesmo tempo, deverá consolidar-se uma crista anticiclónica no Atlântico Norte, favorecendo a aproximação de uma massa de ar mais quente e seco ao território nacional.
Essa massa de ar terá origem no interior da Península Ibérica e será inicialmente alimentada por ar proveniente do Norte de África. O resultado será uma subida das temperaturas, mais marcada no interior, depois de vários dias em que Portugal se manteve como uma espécie de exceção fresca no contexto europeu.
A Meteored sublinha, assim, que a frescura atual deverá continuar apenas até ao final da semana. A partir de domingo, o calor regressa com maior força a várias regiões, sobretudo longe do litoral.
Leia também: Vem aí o período mais quente do ano: saiba quando as temperaturas podem subir















