A tempestade Oriana vai agravar o estado do tempo em Portugal nas próximas horas e poderá intensificar a crise das cheias, em particular na bacia do Mondego, onde os caudais já ultrapassam níveis de segurança e há infraestruturas afetadas. Embora o centro da depressão não atinja diretamente o território nacional, uma frente associada deverá atravessar o país entre o final de quinta-feira e a madrugada de sexta-feira, trazendo precipitação intensa, vento forte e nova pressão sobre solos saturados.
De acordo com o Luso Meteo, site português especializado em meteorologia e análise atmosférica, Oriana foi nomeada pela AEMET devido às previsões adversas para Espanha, com chuva persistente, neve e forte agitação marítima. Segundo a mesma fonte, trata-se da 15.ª tempestade identificada desde o início da época outono-inverno e os seus efeitos far-se-ão sentir em Portugal de forma indireta, mas relevante.
Chuva intensa e vento forte até sexta-feira
A previsão indica acumulados significativos de precipitação num curto intervalo de tempo, sobretudo nas regiões Norte e Centro. Este novo episódio poderá agravar o risco de cheias em várias bacias hidrográficas, com destaque para o Douro, Vouga, Mondego e Tejo.
O vento deverá intensificar-se a partir da tarde de sexta-feira, com rajadas que poderão ultrapassar os 80 a 90 quilómetros por hora no litoral e atingir valores entre 80 e 100 quilómetros por hora nas terras mais elevadas. Não se trata de um cenário excecional em pleno inverno, mas o contexto de solos encharcados e estruturas fragilizadas aumenta o potencial de danos.
Em Espanha, especialmente no Nordeste e Leste, são esperadas rajadas superiores a 130 quilómetros por hora em zonas montanhosas e expostas. A neve poderá descer a cotas entre os 400 e os 600 metros no norte do país vizinho durante o fim de semana. Em Portugal, a cota deverá situar-se acima dos 1.000 metros na sexta-feira, com possibilidade de acumulação nas serras.
Mar agitado e novo teste às zonas costeiras
A agitação marítima será outro dos elementos em destaque. Na costa ocidental portuguesa, são previstas ondas entre quatro e sete metros. Já na costa norte e leste de Espanha, bem como nas Baleares, a ondulação poderá ultrapassar os dez metros.
Este agravamento surge antes da aproximação de um anticiclone, que deverá instalar-se de forma gradual. A estabilização do tempo poderá, ainda assim, demorar, sendo apontada uma melhoria mais consistente apenas a partir do dia 20, caso o padrão atmosférico não sofra alterações.
Mondego em situação crítica
É na bacia do Mondego que a situação inspira maior preocupação. A precipitação extrema dos últimos dias levou ao enchimento quase total da barragem da Aguieira, principal estrutura de regulação do caudal do rio. Pelas 5h desta quinta-feira, a albufeira encontrava-se a 98 por cento da capacidade, o que obrigou a descargas significativas.
O caudal de entrada rondava os 1.300 metros cúbicos por segundo durante a madrugada, enquanto o volume descarregado se situava nos 900 metros cúbicos por segundo, mantendo-se ainda assim uma tendência de subida. A margem de manobra é reduzida e a gestão das descargas tornou-se particularmente delicada perante a previsão de nova chuva intensa.
Caudais acima do limite e infraestruturas afetadas
No Açude Ponte do Mondego, o caudal atingia cerca de 2.000 metros cúbicos por segundo pelas 4h, acima do limiar de segurança. A rutura de um dique e o colapso de um troço da A1 evidenciam a pressão a que o sistema tem estado sujeito.
Segundo o Luso Meteo, estão previstos entre 40 e 70 milímetros de precipitação na bacia do Mondego durante sexta-feira, num cenário em que a capacidade de encaixe da barragem é já muito limitada. A evolução dependerá da intensidade real da chuva e da capacidade de gestão dos caudais nas próximas horas.
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