O calor extremo pode aliviar em algumas zonas nos próximos dias, mas a tendência para julho continua longe de ser fresca. A mais recente atualização do modelo europeu aponta para temperaturas acima da média em todo o território português e mostra Portugal continental praticamente pintado de vermelho.
Segundo Alfredo Graça, da Meteored, o mês começou com a primeira onda de calor generalizada do verão de 2026 em Portugal continental. Nos últimos dias, as temperaturas mínimas e máximas atingiram valores muito elevados em várias regiões do país.
Litoral terá algum alívio
Esta segunda-feira, dia 6, deverá trazer um alívio térmico significativo em grande parte da faixa costeira ocidental. Ainda assim, nas regiões do interior, o calor deverá manter-se intenso, embora com uma descida lenta e gradual ao longo da semana.
O IPMA mantém aviso vermelho em quatro distritos devido à previsão de temperaturas máximas iguais ou superiores a 41 ºC, podendo localmente chegar aos 43 ºC. Estão abrangidos Bragança, Guarda, Castelo Branco e Portalegre.
Calor continua no interior e no Algarve
Além dos distritos em aviso vermelho, há pelo menos sete distritos sob aviso laranja devido ao tempo quente. Entre terça-feira e quarta-feira, dias 7 e 8, o alívio deverá ser mais evidente no litoral.
As temperaturas mais elevadas deverão concentrar-se no interior e no Algarve, onde o calor se poderá manter relativamente intenso até aos dias 9 ou 10 de julho. Ou seja, mesmo com alguma descida, o ambiente continuará quente em várias zonas do país.
Modelo europeu aponta para julho quente
A grande questão é perceber se este alívio será apenas temporário ou se o mês trará uma mudança mais duradoura. A atualização do modelo europeu, analisada pela Meteored, não aponta para um julho fresco.
Pelo contrário, os mapas mostram anomalias positivas de temperatura em todo o território português. Em Portugal continental, a previsão coloca grande parte do mapa a vermelho, sinal de valores acima do normal para esta altura do ano.
Zonas com desvios mais elevados
De acordo com Alfredo Graça, o modelo europeu aumentou os desvios positivos de temperatura na atualização mais recente. No conjunto do mês de julho, algumas zonas poderão registar valores mais de 4 ºC acima da média.
As anomalias mais fortes são esperadas em zonas montanhosas do Alto e Baixo Minho e em quase toda a extensão dos distritos de Vila Real, Bragança e Guarda. Nestas áreas, o mês poderá ser bastante mais quente do que o habitual.
Grande parte do país acima da média
Em grande parte de Portugal continental, as temperaturas poderão ficar entre 3 ºC e 4 ºC acima da média para julho. Trata-se de uma diferença significativa, sobretudo quando ocorre num mês que já é, por natureza, um dos mais quentes do ano.
Na faixa costeira ocidental, no litoral alentejano, em grande parte do Baixo Alentejo e no Algarve, a previsão aponta para valores entre 2 ºC e 3 ºC acima da normal climatológica. Mesmo nas regiões com anomalias menos extremas, o calor deverá continuar presente.
Açores e Madeira com desvios menores
Nos arquipélagos dos Açores e da Madeira, as anomalias térmicas deverão ser mais moderadas. O efeito das brisas marítimas ajuda a limitar os desvios de temperatura face ao normal.
Na Madeira, o modelo aponta para valores entre 1,5 ºC e 2 ºC acima do habitual. Nos Açores, a anomalia positiva deverá ser mais suave, até cerca de 1 ºC acima da média de julho.
Trovoadas também podem aparecer
Apesar do domínio do calor, o mês não deverá ser apenas marcado por céu limpo. A Meteored alerta para a possibilidade de formação de nuvens de desenvolvimento vertical, capazes de gerar trovoadas isoladas e irregulares.
Estas trovoadas poderão surgir sobretudo no interior e, em alguns casos, ser localmente fortes. O fenómeno pode fazer descer a temperatura de forma pontual, mas também aumenta a preocupação com o risco de incêndio.
Raios preocupam em dias de risco elevado
O perigo de incêndio rural deverá manter-se muito elevado a máximo em muitos concelhos. A eventual queda de raios em ambiente quente e seco pode criar situações de risco acrescido, mesmo quando a precipitação é irregular.
A previsão de precipitação é mais difícil de analisar, mas os mapas indicam valores abaixo da média em grande parte do país, especialmente no Norte e em zonas do Centro-norte. Ainda assim, a presença de bolsas de ar frio nas imediações da Península Ibérica pode favorecer episódios de instabilidade.
Calor deve continuar a dominar
A primeira semana completa de julho deverá ser marcada pelo predomínio de bloqueios de altas pressões sobre o centro e norte da Europa. Esse padrão deverá manter a precipitação abaixo do normal em grande parte de Portugal continental, com algumas exceções no interior.
A tendência mostra que o calor intenso continuará a ser protagonista a curto e médio prazo, não só em Portugal, mas também em França e noutros países do centro da Europa. Para os próximos dias, a recomendação continua a ser acompanhar os avisos oficiais, evitar exposição nas horas de maior calor e redobrar cuidados em zonas de risco de incêndio.
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