Depois de um fim de semana marcado por sol e calor pouco habitual para o início de abril, o tempo deverá mudar de forma clara no arranque da próxima semana. Entre segunda e terça-feira, uma frente atlântica associada a um vale depressionário deverá trazer chuva, trovoada, vento mais forte e uma descida das temperaturas, com maior impacto esperado no Norte, Centro e em parte da Área Metropolitana de Lisboa.
Até lá, o cenário continua dominado por estabilidade atmosférica e temperaturas elevadas para a época. O IPMA prevê para esta sexta-feira céu pouco nublado ou limpo em grande parte do território, num contexto que ajuda a perceber o contraste com a mudança esperada para os dias seguintes.
Segundo o Meteored, a mudança começará a desenhar-se na segunda-feira, 6 de abril, com céu mais nublado e possibilidade de aguaceiros dispersos no Algarve e no Baixo Alentejo durante a tarde. No Alto Minho, os modelos também admitem a hipótese de trovoadas nesse mesmo período, antes da entrada da frente mais organizada durante a noite.
Chuva deve entrar na segunda-feira à noite
De acordo com a previsão divulgada, as primeiras faixas de precipitação mais organizadas deverão atingir o litoral Norte e Centro por volta das 22h00 de segunda-feira. Nas horas seguintes, a chuva tenderá a avançar para sul e para leste, alcançando grande parte das regiões Norte, Centro e a Área Metropolitana de Lisboa até à manhã de terça-feira.
O período mais intenso deverá ocorrer entre o meio da manhã e o meio da tarde de terça-feira, altura em que a frente fria atravessará o território continental com maior expressão. A Meteored refere que esta deverá ser a fase de maior probabilidade, intensidade e frequência da precipitação, com distribuição desigual, mas abrangendo praticamente todo o país.
Os distritos a oeste da barreira de condensação surgem entre os mais expostos. Viana do Castelo, Braga, Porto e Aveiro aparecem entre as áreas com valores de chuva mais elevados, tal como várias zonas da Região Centro, incluindo Coimbra, Viseu e Guarda. Nestas zonas, os acumulados poderão variar entre 20 e 45 milímetros até ao final de terça-feira.
Norte e Centro concentram o maior risco
A sul, o cenário parece menos expressivo. No Nordeste Transmontano, Douro e Beira Alta, bem como em várias regiões a sul do Mondego, os acumulados previstos situam-se geralmente entre 5 e 15 milímetros. No Algarve, a precipitação poderá ser mais escassa, com valores entre 1 e 5 milímetros no Barlavento e entre 5 e 10 milímetros no Sotavento.
A trovoada poderá acompanhar este episódio em diferentes fases. Na tarde de segunda-feira, o risco aparece sobretudo no Alto Minho, enquanto na terça-feira as trovoadas podem repetir-se no interior alentejano, em especial nas metades orientais dos distritos de Portalegre, Évora e Beja.
Além da chuva, o vento deverá intensificar-se com a passagem da frente. A Meteored estima rajadas até 70 km/h nas terras altas e também em alguns pontos da faixa costeira, num cenário que será acompanhado por uma descida acentuada das temperaturas ao longo de terça-feira.
Temperaturas descem e neve pode regressar
A entrada de ar mais frio em altitude poderá trazer outro efeito associado: neve nas zonas mais altas. Segundo a mesma previsão, a queda de neve poderá começar na Serra da Estrela durante a tarde de terça-feira, com descida da cota para os 1000 a 1200 metros ao fim do dia, podendo atingir também outros pontos montanhosos do Norte e Centro.
O IPMA já mostra no portal de avisos a presença de parâmetros associados a precipitação, vento, neve e trovoada na linha temporal de previsão para vários distritos, sinal de que o arranque da próxima semana será acompanhado com atenção pelas autoridades meteorológicas.
Para quarta-feira, 8 de abril, a tendência aponta para possível continuidade do tempo instável, com mais precipitação, reforço do arrefecimento e eventual alargamento da neve a outras zonas montanhosas. Ainda assim, a própria Meteored sublinha que esta parte do cenário está envolta em maior incerteza.
Mudança de tempo quebra calor quase de verão
Esta mudança deverá marcar uma quebra evidente face aos dias anteriores, em que várias regiões registam ou poderão registar máximas próximas dos 30 graus. O contraste entre o calor previsto para o fim de semana e a instabilidade de segunda e terça-feira pode tornar este episódio particularmente notório para quem vinha a sentir um arranque de abril quase de verão.
Para já, o sinal mais consistente é o regresso da chuva de forma generalizada, com maior impacto no litoral e interior Norte e Centro. Os detalhes sobre intensidade final, localização das trovoadas e persistência da instabilidade na quarta-feira deverão ainda ser afinados nas próximas atualizações.















