A sabedoria popular portuguesa associa a primavera a grande instabilidade atmosférica e o cenário dos próximos dias prepara-se para confirmar que em abril águas mil é uma regra quase sagrada. Uma mudança brusca na dinâmica do tempo revela que uma nova depressão traz chuva e trovoada muito em breve e vai deixar as temperaturas a cair até 10 ºC nas piores situações.
A resposta para esta alteração radical aponta para a madrugada e manhã de terça-feira com especial incidência na região centro e na faixa litoral do território continental. A informação detalhada sobre a passagem deste sistema é avançada pelo portal Luso Meteo, uma plataforma digital especializada em análise e previsão do estado do tempo. O calor anómalo que atinge os 30 graus durante o fim de semana e a segunda-feira dará lugar a um panorama invernal no espaço de poucas horas.
O choque térmico e a queda dos termómetros
Indica a mesma fonte que os valores térmicos podem resvalar da marca dos 30 graus para patamares entre os 10 e os 15 graus durante a tarde de terça-feira. Esta descida vertiginosa num período de tempo tão curto cria um forte choque na atmosfera terrestre que propicia o aparecimento de fenómenos meteorológicos muito severos.
A instabilidade atmosférica e as trovoadas
O contraste térmico brutal gera uma enorme acumulação de energia convectiva capaz de despoletar atividade elétrica em vários pontos de Portugal continental. A aproximação deste núcleo de baixas pressões pelo oceano Atlântico aumenta o risco de ocorrência de aguaceiros localmente muito concentrados e intensos.
Explica a referida fonte que as trovoadas características dos meses primaveris podem vir acompanhadas por rajadas de vento fulminantes e repentinas. Os cenários analisados não descartam a possibilidade de ocorrerem episódios muito localizados de queda de granizo nas áreas onde as células de tempestade forem mais ativas.
A trajetória do fenómeno e a ausência de neve
Os modelos matemáticos atualizados mostram que o sistema frontal se posicionou algumas centenas de quilómetros mais a oeste do que o previsto nas análises iniciais. Este ligeiro desvio geográfico afasta o ar mais frio para a superfície do oceano e diminui drasticamente a probabilidade de ocorrência de neve no interior do país.
A área da serra da Estrela surge no mapa como o único local com condições atmosféricas mínimas para conseguir acumular alguns flocos nas suas cotas mais elevadas. As restantes formações montanhosas receberão apenas precipitação sob a forma de chuva e continuarão desprovidas do habitual manto branco.
O regresso repentino do calor
O panorama frio e chuvoso terá uma duração muito reduzida no continente português e as tréguas surgem logo a partir da tarde de quarta-feira. A deslocação de todo o sistema meteorológico em direção a sul permitirá o fortalecimento do anticiclone e o arrastamento rápido de massas de ar quente.
Explica ainda o Luso Meteo que a subida drástica das temperaturas máximas poderá transportar consigo uma nova nuvem de poeiras oriundas do norte de África. Esta alternância constante entre dias tórridos e dias molhados reflete a imensa volatilidade que caracteriza as estações de transição no hemisfério norte.
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