Depois de um final de janeiro marcado por chuva persistente e solos saturados, as previsões apontam para um início de fevereiro igualmente exigente em termos meteorológicos, com precipitação intensa em vários pontos do país e risco acrescido de cheias, sobretudo nas regiões Norte e Centro. Segundo os modelos europeus, os primeiros dias do mês poderão ser dos mais complicados para a circulação e para a segurança em zonas ribeirinhas.
De acordo com o modelo de confiança do portal especializado em meteorologia Meteored, a primeira semana de fevereiro deverá apresentar um padrão muito semelhante ao registado na reta final de janeiro. A atual configuração atmosférica continua a favorecer a passagem sucessiva de depressões atlânticas sobre Portugal.
Esta situação resulta de um jato polar mais deslocado para sul do que o habitual, aliado a um anticiclone dos Açores mais enfraquecido e posicionado em latitudes inferiores. O resultado é um corredor aberto para a entrada frequente de frentes ativas sobre o território nacional.
Risco acrescido de cheias e instabilidade do solo
A precipitação prevista para os próximos dias deverá cair sobre solos que já se encontram praticamente incapazes de absorver mais água, em especial nas regiões Norte e Centro. Esta realidade aumenta de forma significativa o risco de cheias nos principais rios e afluentes.
Áreas urbanas historicamente vulneráveis a inundações poderão voltar a enfrentar dificuldades, assim como zonas de encosta onde existe maior probabilidade de deslizamentos de terras e derrocadas. De acordo com a mesma fonte, a circulação atmosférica de oeste muito ativa favorece ainda o transporte frequente de rios atmosféricos, que contribuem para tornar a chuva mais persistente e volumosa ao longo da semana.
Portugal entre os países com mais chuva na Europa
As projeções do modelo europeu do ECMWF colocam Portugal entre as regiões da Europa com as anomalias de precipitação mais acentuadas durante a semana de 2 a 9 de fevereiro.
No território continental, prevê-se chuva bastante acima da média climatológica de norte a sul, com especial destaque para as regiões Norte e Centro, onde muitos distritos poderão registar valores superiores em mais de 90 milímetros face ao normal para esta época do ano.
Distritos com acumulados muito elevados
Segundo o mesmo modelo, os acumulados de precipitação da primeira semana de fevereiro poderão ultrapassar os 200 milímetros em distritos como Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Coimbra, Vila Real e Viseu. Algumas áreas da Guarda e de Castelo Branco, nomeadamente na Serra da Estrela, bem como zonas do distrito de Leiria entre o interior e a faixa costeira até à Nazaré, poderão igualmente atingir estes valores, conforme refere a mesma fonte.
Monitorização dos rios e apelos à prevenção
O excesso de precipitação previsto poderá conduzir a situações de excedente hídrico perigoso, em particular junto a rios de maior caudal. A monitorização contínua dos níveis das linhas de água será determinante nos próximos dias.
As autoridades recomendam especial cautela na circulação em áreas ribeirinhas e aconselham a retirada preventiva de bens localizados em zonas com histórico de inundações. A instabilidade dos solos, agravada pela chuva persistente, aumenta também o risco de movimentos de vertente, sobretudo em regiões de relevo acentuado.
Segunda-feira com chuva intensa em grande parte do país
De acordo com a fonte acima citada, a semana deverá começar com chuva generalizada em todo o território continental. Na segunda-feira, dia 2, os maiores acumulados de chuva estão previstos para as regiões a norte do Mondego, com valores entre 20 e 60 milímetros.
Entre o Mondego e o Algarve, os registos deverão variar entre 5 e 30 milímetros, com valores mais elevados em zonas como o vale do Lis, o vale do Sado, o Alto Alentejo e alguns pontos do litoral alentejano. Este dia poderá marcar o início de um período prolongado de precipitação intensa, com impacto acumulado significativo.
Terça-feira com aguaceiros e nova frente
Na terça-feira, dia 3, a precipitação deverá assumir um caráter pós-frontal durante grande parte do dia, sob a forma de aguaceiros por vezes fortes. Para o final do dia, está prevista a aproximação de uma nova ondulação frontal.
Grande parte do país poderá registar entre 15 e 30 milímetros de chuva, com exceção de algumas zonas mais abrigadas do interior Norte, interior do Alentejo e Sotavento Algarvio, onde os valores deverão ser inferiores a 10 milímetros. Apesar de menos intensa em alguns pontos, a chuva continuará a contribuir para o agravamento da saturação dos solos.
Quinta-feira poderá ser um dos dias mais críticos
Segundo o Meteored, na quarta-feira, dia 4, e na quinta-feira, dia 5, a precipitação deverá voltar a afetar todo o território continental, com particular incidência nas regiões a norte do Tejo.
Estima-se que estas áreas possam acumular cerca de 30 milímetros na quarta-feira e mais 60 milímetros na quinta-feira, fazendo deste último um dos dias potencialmente mais chuvosos e críticos da semana, a par de segunda-feira. A sul do Tejo, os acumulados também serão relevantes, podendo atingir 25 a 35 milímetros na quarta-feira e até 45 milímetros na quinta-feira.
















