A disponibilidade de viagens em plataformas de transporte individual poderá ser reduzida ao longo de vários dias desta semana, devido a uma paralisação anunciada pelos motoristas de TVDE, que promete afetar sobretudo quem tenta deslocar-se nas primeiras horas da manhã. A ação foi confirmada por representantes do setor e deverá ter impacto desigual consoante o dia e a aplicação utilizada.
O protesto está agendado para decorrer entre 19 e 24 de janeiro e resulta de um descontentamento acumulado em relação ao modelo de funcionamento das plataformas digitais, que, segundo os motoristas, tem conduzido a uma redução continuada dos rendimentos.
Paragem marcada, mas com regras próprias
De acordo com o portal NiT, a greve terá uma configuração particular: os motoristas não deixam totalmente de trabalhar, optando antes por desligar uma das aplicações nas horas de ponta matinais, entre as 7 h e as 10 h. A iniciativa pretende causar impacto sem suspender por completo a atividade.
A paralisação será alternada ao longo da semana. Na segunda, quarta e sexta-feira, a redução de viagens deverá fazer-se sentir na Uber, enquanto nos restantes dias será a Bolt a plataforma mais afetada.
Um protesto distribuído pelo país
Escreve a mesma publicação que a ação terá abrangência nacional, ainda que os efeitos práticos sejam mais visíveis nas áreas metropolitanas. Lisboa e Porto concentram uma maior procura e um número mais elevado de motoristas, o que torna estas cidades particularmente sensíveis a este tipo de iniciativas.
A escolha destas zonas não é aleatória, uma vez que é aí que se registam mais deslocações diárias e onde o eventual desligar das aplicações terá maior impacto nos utilizadores.
Motoristas continuam na estrada
Fernando Vilhais, coordenador geral do Movimento Cívico Somos TVDE, explicou à agência de notícias Lusa que os condutores mantêm a possibilidade de trabalhar durante o protesto. A diferença está na decisão de desligar apenas uma plataforma de cada vez.
Refere a mesma fonte que esta estratégia pretende demonstrar às empresas a dependência que têm do trabalho diário dos motoristas, sem recorrer a uma paralisação total que possa penalizar em excesso os próprios condutores.
O modelo económico em causa
Conforme a NiT, uma das principais críticas prende-se com a política de preços praticada pelas plataformas, que, segundo os representantes dos motoristas, recorrem a reduções sistemáticas para ganhar quota de mercado, suportadas quase exclusivamente pelo esforço dos condutores.
Segundo a mesma fonte, Fernando Vilhais aponta ainda o facto de as plataformas garantirem cerca de 25% do valor de cada viagem, independentemente do preço final, enquanto os operadores assumem os custos das viaturas e da contratação dos motoristas.
Questões legais e reivindicações
Os motoristas consideram que as plataformas acabam por atuar como se fossem uma entidade patronal de todo o setor, apesar de esse papel não estar previsto na lei. Esta situação é vista como um desequilíbrio na relação entre quem gere as aplicações e quem presta o serviço.
Acrescenta a publicação que o protesto pretende alertar para a necessidade de rever este modelo e mostrar que, na perspetiva dos motoristas, as regras não podem continuar a ser impostas de forma unilateral.
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