António, um paciente de 66 anos do Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa, voltou a pisar a areia e a olhar o mar depois de ter manifestado um desejo que parecia simples, mas que carregava um peso emocional profundo. Tinha “saudades de ver o mar” e de tudo o que ele representava antes da doença. O pedido chegou aos profissionais de saúde e acabou por transformar-se num passeio especial até Praia de Carcavelos.
De acordo com uma publicação nas redes sociais do IPO de Lisboa, a iniciativa partiu da equipa do Serviço de Pneumologia, que decidiu organizar a saída para devolver ao doente um momento fora do ambiente hospitalar e próximo das memórias que lhe eram familiares.
Desejo que saiu do hospital
O plano foi simples: permitir a António regressar a um lugar onde costumava passar parte do seu tempo antes de ficar doente. Ir à praia, sentir a brisa, caminhar junto ao mar e reviver pequenos gestos que faziam parte da sua rotina.
A instituição explicou que António saiu acompanhado pela enfermeira Tatiana Silva, enquanto a família se juntou mais tarde no areal, criando um encontro que ultrapassou a lógica clínica do acompanhamento.
Cinco horas longe das paredes do hospital
O passeio prolongou-se durante cerca de cinco horas e incluiu tempo para caminhar na areia, observar o mar e partilhar momentos em família. Segundo a mesma fonte, a experiência permitiu criar novas memórias num contexto diferente daquele a que António se habituou nos últimos tempos.
A imagem partilhada pelo instituto mostra o paciente a sorrir, num momento que o próprio hospital descreveu como especial. A publicação rapidamente gerou reações de apoio e reconhecimento ao trabalho da equipa.
Cuidar para além dos tratamentos
Na mensagem divulgada, o IPO sublinhou que “cuidar não é só diagnosticar e tratamentos”, reforçando a importância da dimensão humana no acompanhamento de quem enfrenta doença oncológica. A mesma publicação acrescenta que “olhar para António a sorrir é a prova de que a saúde mede-se também em momentos de dignidade, alegria e paz”, numa reflexão sobre aquilo que a medicina pode oferecer para lá da componente técnica.
O encontro na praia acabou por reunir dois pilares essenciais neste tipo de processos: os profissionais de saúde e a família. O instituto considera que foi essa união que tornou possível a concretização do desejo. Estas pequenas ações ajudam a reforçar sentimentos de segurança, proximidade e estabilidade emocional, sobretudo em fases mais exigentes do tratamento.
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