Perder o telemóvel num assalto ou num furto pode ser mais grave do que ficar sem o aparelho. Hoje, o smartphone concentra aplicações bancárias, MB WAY, e-mail, redes sociais, documentos e, muitas vezes, palavras-passe guardadas. Por isso, os primeiros minutos são decisivos para evitar que o roubo se transforme também num prejuízo financeiro.
De acordo com o Ekonomista, a prioridade deve ser cortar rapidamente o acesso ao dinheiro e aos dados pessoais. Só depois deve avançar para a queixa às autoridades, o bloqueio definitivo do equipamento e a eventual participação ao seguro. A ordem dos passos pode fazer diferença, sobretudo se o telemóvel estava desbloqueado ou se o código era fácil de adivinhar.
Bloqueie primeiro o acesso ao dinheiro
O primeiro passo deve ser contactar o banco e suspender o acesso às aplicações bancárias associadas ao telemóvel roubado. Se conseguir usar outro telefone ou um computador, entre em contacto com a linha de apoio do seu banco e peça expressamente a revogação do dispositivo ou a suspensão imediata do acesso feito a partir daquele aparelho.
No caso do MB WAY, o utilizador deve cancelar o serviço associado ao número roubado através de uma caixa Multibanco ou contactar a SIBS. O Ekonomista refere os contactos 808 201 251 e 217 918 780 para este efeito. A página oficial do MB WAY disponibiliza também o contacto 217 918 725 para apoio aos utilizadores.
Quem é cliente da Caixa Geral de Depósitos pode contactar a linha de segurança do Caixadirecta, disponível 24 horas por dia, através do 217 900 790. A CGD identifica este número como contacto para situações de roubo ou fraude.
No Millennium bcp e no ActivoBank, o Ekonomista indica a linha de segurança 210 052 424, além dos números móveis 918 272 424, 935 222 424 e 965 992 424, para pedir a suspensão do acesso a partir do telemóvel roubado. Nos restantes bancos, o procedimento mais seguro é ligar para a linha de apoio 24 horas e pedir o bloqueio do acesso associado ao dispositivo.
Bloqueie o cartão SIM e peça o bloqueio do IMEI
Depois de proteger as contas bancárias, deve contactar a operadora e pedir o bloqueio imediato do cartão SIM. Sem esse cartão, o assaltante deixa de conseguir receber SMS de autenticação ou códigos enviados para o número roubado, algo que ainda é usado em muitos serviços digitais.
O Ekonomista indica os principais contactos das operadoras: na Vodafone, 16912 ou 911 691 200 a partir de outra rede; na NOS, 16990 ou 931 699 000 a partir de outra rede; e na MEO, 961 001 620 ou 16200. Nessa chamada, deve pedir também informações sobre o bloqueio do IMEI, que é o número de identificação do telemóvel.
O IMEI pode estar na caixa original, na fatura de compra ou noutros documentos associados ao aparelho. O bloqueio impede que o telemóvel se ligue a redes móveis em Portugal, tornando-o menos útil para revenda. Em muitos casos, a operadora só conclui este bloqueio depois de receber o comprovativo da queixa apresentada às autoridades, pelo que este passo deve ser tratado em paralelo com a denúncia.
Proteja a conta Google ou Apple
Se o telemóvel estava desbloqueado, ou se o código de acesso era simples, o risco não fica limitado ao banco. O assaltante pode tentar aceder ao e-mail, fotografias, cópias de segurança, redes sociais e serviços onde tenha sessão iniciada.
Num iPhone, deve aceder ao serviço Encontrar através de outro dispositivo Apple ou do site iCloud e ativar o Modo Perdido. Esta opção bloqueia o ecrã e permite mostrar um contacto alternativo, sem apagar imediatamente os dados. Num Android, deve usar o Localizar o Meu Dispositivo, da Google, para bloquear remotamente o aparelho.
Apagar tudo à distância deve ser uma decisão ponderada. Se ainda houver possibilidade de recuperar ou localizar o telemóvel, a limpeza remota pode impedir esse acompanhamento. Ainda assim, se o risco de acesso aos dados for elevado, pode ser a solução mais segura.
Deve também mudar de imediato a palavra-passe da conta Google ou Apple e rever os dispositivos com sessão iniciada. Qualquer aparelho desconhecido deve ser removido. Muitos ataques começam precisamente pelo controlo da conta principal, que depois permite recuperar ou alterar palavras-passe de outros serviços.
Apresente queixa às autoridades
A denúncia às autoridades é essencial. Serve para formalizar o furto ou roubo, acionar um eventual seguro e comprovar a situação caso surjam movimentos bancários suspeitos, tentativas de burla ou uso indevido dos seus dados nos dias seguintes.
A queixa pode ser apresentada presencialmente numa esquadra da PSP ou num posto da GNR. Também pode ser feita através do portal Queixa Eletrónica, quando a situação se enquadre nos crimes abrangidos por esse serviço.
Ao apresentar a denúncia, deve ter consigo a marca e o modelo do telemóvel, o número IMEI e a última localização conhecida, se estiver disponível. No final, peça sempre uma cópia do auto de denúncia, porque poderá ser necessária para completar o bloqueio do IMEI junto da operadora ou para comunicar o sinistro à seguradora.
Vigie contas, e-mail e redes sociais nos dias seguintes
O bloqueio inicial é apenas a primeira fase. Durante os dias seguintes, deve acompanhar com atenção os extratos bancários, o e-mail, as redes sociais e as notificações de acesso às contas principais. Qualquer pedido de recuperação de palavra-passe ou tentativa de início de sessão que não reconheça deve ser tratado como sinal de alerta.
Se tiver seguro multirriscos habitação ou seguro específico para equipamentos eletrónicos, confirme se a apólice cobre furto fora de casa e qual é o prazo para participar o sinistro. Segundo o Ekonomista, no seguro de telemóveis da NOS, por exemplo, o prazo referido é de oito dias após o incidente, mas estes limites variam consoante a seguradora e a apólice contratada.
Depois da situação controlada, vale a pena rever a segurança do próximo aparelho. Um código forte, autenticação em dois fatores, localização ativada e palavras-passe não guardadas de forma desprotegida podem fazer a diferença entre perder apenas o telemóvel ou ver também comprometidas as contas bancárias e os dados pessoais.
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