A PSP suspendeu este sábado de manhã a recolha de dados biométricos nas partidas dos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro, numa tentativa de evitar longos tempos de espera e impedir que passageiros percam os seus voos. A medida surge após novos constrangimentos provocados pela entrada em pleno funcionamento do sistema europeu de controlo fronteiriço para cidadãos extracomunitários.
A suspensão aplica-se apenas às partidas e foi decidida logo no início da operação da manhã, perante o volume de passageiros e o agravamento das filas nos três aeroportos.
Segundo a PSP, em declarações à Lusa, o objetivo foi garantir que o tempo de espera não ultrapassasse níveis considerados aceitáveis, sobretudo numa altura em que muitos passageiros estão a sair do espaço Schengen através das infraestruturas de Lisboa, Porto e Faro.
Recolha biométrica mantém-se nas chegadas
Apesar da suspensão nas partidas, a recolha de dados biométricos continua a ser feita nas chegadas.
Em causa está o novo Sistema Europeu de Entrada/Saída, conhecido pela sigla EES, que substitui o carimbo no passaporte por um registo digital com fotografia e impressões digitais para cidadãos de fora da União Europeia.
De acordo com a PSP, o controlo nas partidas continua a ser assegurado com os níveis habituais de segurança, mas sem a recolha biométrica, precisamente para evitar filas excessivas nas zonas de embarque.
Novo sistema agravou tempos de espera
O EES está a ser implementado de forma faseada na União Europeia desde outubro de 2025, mas passou a funcionar a 100% desde sexta-feira.
Em Portugal e nos restantes países do espaço Schengen, o sistema entrou em funcionamento em 12 de outubro, tendo já provocado um agravamento dos tempos de espera nas fronteiras aéreas, sobretudo no aeroporto de Lisboa.
Com a entrada da segunda fase, em dezembro, que passou a incluir a recolha de dados biométricos, os constrangimentos tornaram-se ainda mais visíveis, em especial na capital.
Governo já tinha avançado com medidas de contingência
No final de dezembro, o Governo anunciou medidas de contingência no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, para tentar reduzir os tempos de espera nas chegadas.
Entre essas medidas esteve a suspensão temporária do sistema EES durante três meses, decisão que entretanto foi revertida com o retomar do funcionamento do mecanismo.
A nova decisão da PSP mostra que os problemas operacionais continuam a pressionar os aeroportos portugueses, numa altura em que o sistema europeu já está plenamente ativo. Para já, a prioridade das autoridades passa por evitar que os atrasos no controlo fronteiriço afetem diretamente os passageiros com voos marcados.
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