Cinco pessoas foram detidas por suspeitas de tráfico de pessoas para exploração laboral, numa operação conjunta entre a Polícia Judiciária e a Guardia Civil espanhola. As autoridades resgataram duas vítimas que estavam subjugadas há 30 e 15 anos.
A operação, denominada “Mãos Livres”, foi conduzida pela Polícia Judiciária do Centro em articulação com a Guardia Civil de Burgos, em Espanha.
Segundo a PJ, três suspeitos foram detidos em Espanha, ao abrigo de mandados de detenção europeus emitidos pelo Tribunal de Coimbra. Os outros dois foram detidos em Portugal.
Vítimas eram recrutadas em Portugal
De acordo com a Polícia Judiciária, o grupo, de cariz familiar, recrutava em Portugal pessoas em situação de fragilidade, com carências económicas e em processos de exclusão social.
As vítimas eram depois levadas para Burgos, em Espanha, onde eram encaminhadas para trabalhos agrícolas pouco qualificados.
A PJ refere que os suspeitos intermediavam junto de empregadores o fornecimento de mão de obra, mantendo as vítimas sob controlo constante.
Viviam em condições degradantes
As autoridades descrevem condições de alojamento e alimentação “deploráveis”, bem como um contexto de coação permanente.
Os suspeitos ficariam ainda na posse da quase totalidade dos salários das vítimas, apropriando-se do dinheiro entregue pelos empresários para pagamento do trabalho.
Segundo a investigação, os trabalhadores não tinham verdadeiro controlo sobre as suas vidas.
Contratos, contas bancárias e viaturas em nome das vítimas
A Polícia Judiciária indica que as vítimas eram inscritas na Segurança Social espanhola para permitir a elaboração de contratos de trabalho.
Além dos salários, os suspeitos terão obtido benefícios resultantes de prestações sociais.
As vítimas eram também usadas para abrir contas bancárias e registar viaturas em seu nome, uma estratégia que, segundo a PJ, dificultava a atuação das autoridades.
Uma vítima terá sido “transacionada”
As duas vítimas foram resgatadas na primeira fase da operação, realizada em março de 2025.
Uma delas estaria subjugada há 30 anos. De acordo com a PJ, chegou a ser “transacionada entre elementos do grupo, como se de uma mercadoria se tratasse”.
A outra vítima encontrava-se sob domínio da rede há cerca de 15 anos.
Detidos em Portugal e Espanha
Os três detidos em Espanha têm idades entre os 32 e os 35 anos e foram presentes à Audiência Nacional, em Madrid, no âmbito do processo de extradição para Portugal.
Em território nacional, foram detidos dois suspeitos com 54 e 56 anos. Um deles tem antecedentes criminais pela prática de crimes da mesma natureza.
Estes dois detidos serão presentes às autoridades judiciárias para aplicação das medidas de coação consideradas adequadas.
Prova recolhida e bens apreendidos
A Polícia Judiciária acompanhou a operação realizada em Espanha, onde foram recolhidos elementos de prova, incluindo documentação.
Foram ainda apreendidos saldos bancários e dois imóveis, no âmbito da investigação.
O caso expõe uma alegada rede de exploração laboral prolongada durante anos, com vítimas portuguesas levadas para Espanha e mantidas em condições de forte dependência e controlo.















