Num contexto de aumento das burlas digitais em Portugal, a Procuradoria-Geral da República (PGR) lançou durante esta segunda-feira, um alerta para um novo esquema que está a circular através de mensagens enviadas por WhatsApp e correio eletrónico, levando as vítimas a acreditar que têm dívidas em atraso à Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) e pressionando para pagamentos imediatos sob ameaça de penhora.
De acordo com a PGR, esta burla tem sido detetada desde as últimas semanas de março e caracteriza-se pelo envio massivo de mensagens para um grande número de destinatários.
O objetivo passa por convencer as vítimas de que existe uma dívida fiscal pendente, criando um cenário de urgência para induzir o pagamento, conforme refere o Correio da Manhã.
As autoridades sublinham que este tipo de fraude não é novo, tendo já sido registadas situações semelhantes envolvendo falsas dívidas associadas a entidades como a EDP, a Segurança Social, o SNS e a própria AT.
Mensagens levam a páginas fraudulentas
O método utilizado consiste no envio de mensagens escritas, quer por telefone quer por correio eletrónico, muitas vezes através de números ocultos ou cartões pré-pagos.
Essas comunicações incluem um link que direciona a vítima para uma página fraudulenta, onde é possível consultar supostos detalhes da dívida. O conteúdo destas mensagens destaca a necessidade de pagamento urgente, frequentemente com referências a consequências como penhoras ou processos de execução fiscal.
Pressão para pagamento imediato
Segundo a PGR, o principal objetivo é provocar uma reação rápida e pouco ponderada por parte da vítima.
Ao aceder ao site fraudulento, é solicitado o Número de Contribuinte e o código pessoal de acesso, após o que surge uma nova página com o valor alegadamente em dívida e instruções de pagamento.
Além disso, surgem mensagens em destaque como “Expira hoje”, “Pagar Agora” ou “Evite Apreensão”, reforçando o sentido de urgência.
Esquema mais sofisticado e agressivo
De acordo com a mesma fonte, as autoridades indicam que esta versão do esquema apresenta um nível de sofisticação superior, recorrendo a técnicas mais elaboradas para enganar os utilizadores.
Os dados de pagamento fornecidos permitem efetuar transferências através de caixas Multibanco ou serviços de homebanking.
Foi ainda identificada uma página fraudulenta alojada num servidor internacional, associado a serviços que permitem ocultar a identidade dos responsáveis.
Como funciona o alojamento das páginas falsas
Segundo a PGR, uma das páginas identificadas estava registada através de serviços sediados nos Estados Unidos, que oferecem anonimato aos utilizadores.
Este tipo de plataformas permite esconder informações como nome, contacto ou localização dos responsáveis, dificultando a identificação dos autores das burlas. A utilização destes serviços tem sido recorrente em esquemas fraudulentos online, segundo aponta a fonte acima citada.
Autoridades recomendam atenção redobrada
Perante este cenário, as autoridades apelam à prudência, sobretudo no acesso a links recebidos por mensagem ou email. É aconselhado que qualquer comunicação relacionada com dívidas fiscais seja confirmada diretamente junto dos canais oficiais da AT.
A PGR reforça que este tipo de mensagens deve ser ignorado e, sempre que possível, denunciado às autoridades competentes.
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