Os serviços de saúde estão preparados para responder ao impacto da onda de calor que afeta Portugal continental, segundo a mensagem transmitida à Ordem dos Médicos pelos diretores clínicos do país. O bastonário, Carlos Cortes, afirmou que as instituições têm planos de contingência, reforços previstos e conhecimento acumulado sobre os efeitos das temperaturas elevadas nesta altura do ano.
Carlos Cortes falava em conferência de imprensa depois de visitar o Centro de Atendimento Complementar de Proença-a-Nova e o Hospital Amato Lusitano, em Castelo Branco. A deslocação teve como objetivo avaliar no terreno o impacto da onda de calor na atividade clínica, bem como perceber as necessidades e as medidas prioritárias para reforçar a capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde.
Bastonário deixa mensagem de tranquilidade
Segundo o bastonário, a Ordem dos Médicos reuniu-se na sexta-feira com todos os diretores clínicos do país para abordar a situação provocada pelo calor e os cuidados a adotar. “A mensagem que me foi transmitida é uma mensagem de tranquilidade”, afirmou Carlos Cortes, acrescentando que, até ao momento, não há sinais de um aumento expressivo de episódios de urgência diretamente relacionados com o calor no Hospital Amato Lusitano.
Apesar da mensagem de confiança, a Ordem dos Médicos deixou alertas dirigidos sobretudo aos lares, aos idosos e às pessoas que vivem isoladas. Carlos Cortes sublinhou que há cidadãos que não têm rede de apoio e que, muitas vezes, só procuram cuidados de saúde quando já se encontram em situações graves de descompensação. O risco é particularmente relevante em aldeias, mas também nas grandes cidades, onde há idosos a viver sozinhos.
O bastonário mostrou também preocupação com os lares, defendendo que estas instituições devem ter refrigeração, ar condicionado e cuidados adicionais durante períodos de calor intenso. Carlos Cortes lembrou que muitos lares não têm enfermeiros e médicos em permanência, razão pela qual deve existir uma atenção especial e redobrada nestes dias.
O responsável deixou ainda uma mensagem de reconhecimento aos profissionais de saúde, com destaque para a área da saúde pública. Considerou que tem sido desenvolvido um trabalho “extraordinário”, descrevendo-o como ativo e determinante para a resposta que está a ser dada ao episódio de calor.
Questionado sobre o impacto anual das temperaturas elevadas na mortalidade, Carlos Cortes afirmou que a Ordem dos Médicos fará um balanço no final. O bastonário garantiu que, se a instituição entendesse que a resposta não estava a ser adequada, apontaria as falhas, mas defendeu que este é também um momento de união entre entidades e profissionais.
Carlos Cortes alertou, no entanto, para a necessidade de melhorar o planeamento. Na sua opinião, o país deve deixar de elaborar planos sazonais diferentes todos os anos e apostar numa base constante e permanente, que possa ser atualizada sempre que necessário. O bastonário defendeu ainda que os planos devem ser preparados com mais antecedência, para permitir às Unidades Locais de Saúde adquirir os recursos necessários a tempo.
O responsável deu como exemplo a Unidade Local de Saúde de Castelo Branco, que, segundo afirmou, se antecipou e programou a resposta. Ainda assim, voltou a apontar os recursos humanos como o principal problema do SNS, uma dificuldade que se agrava no verão devido ao período de férias dos profissionais.
Para Carlos Cortes, cabe ao Ministério da Saúde criar mecanismos permanentes para tornar o SNS mais atrativo. O bastonário recordou que a Ordem dos Médicos entregou um documento com 25 medidas para reforçar a atratividade do serviço público de saúde, defendendo que, sem medidas concretas para captar médicos e outros profissionais, as dificuldades vão persistir.
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