As reservas de água doce no planeta estão em queda há cerca de uma década, alerta a Organização Meteorológica Mundial (OMM), organismo da ONU. O relatório divulgado em 17 de setembro identifica também 2025 como um dos anos mais secos dos últimos 35 para os caudais de muitos rios.
O Relatório sobre o Estado dos Recursos Hídricos Globais em 2025 descreve um ciclo da água cada vez mais errático e imprevisível, que oscila entre situações de escassez e de excesso. A redução das reservas subterrâneas e a perda generalizada de gelo nos glaciares estão entre os sinais destacados pelos autores.
“Estamos a esgotar essa conta poupança”
A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, explica que componentes como a chuva e a humidade do solo respondem rapidamente ao clima. Já as águas subterrâneas e os glaciares funcionam tradicionalmente como reservas mais lentas, uma espécie de “conta poupança” para enfrentar os anos de seca.
“Estamos a esgotar essa conta poupança. O armazenamento terrestre global de água tem apresentado uma tendência de queda desde 2014–2016 – um sinal persistente que dura uma década”, afirmou, citada num comunicado da organização.
Este armazenamento inclui as águas subterrâneas, os lagos e rios, a humidade do solo, a água presente na vegetação, o gelo e a neve. Segundo o relatório, o declínio prolonga-se desde meados da década de 2010.
Nas águas subterrâneas, quase dois terços dos poços monitorizados registaram uma perda de água em 2025, acrescentou Celeste Saulo.
Glaciares acumulam quatro anos de perdas generalizadas
“Pelo quarto ano consecutivo, todas as principais regiões de glaciares da Terra perderam massa de gelo”, sublinhou a secretária-geral da OMM.
Entre 2023 e 2025, a perda de gelo equivaleu a 1.400 gigatoneladas de água. O documento alerta para as consequências deste recuo, que envolve riscos de cheias a curto prazo e de insegurança hídrica a longo prazo.
Nos rios, o balanço de 2025 confirma igualmente a persistência de condições anormais. Pelo sétimo ano consecutivo, diminuiu a proporção de bacias hidrográficas consideradas em condições normais, que ficou entre 34% e 38%.
A avaliação científica abrange todo o ciclo da água, desde os caudais dos rios e as reservas subterrâneas até ao armazenamento, à evapotranspiração, à neve e ao gelo, incluindo ainda acontecimentos de grande impacto.
Ásia e África concentram mais de 80% das mortes associadas
O relatório identifica a Ásia e a África como as regiões mais afetadas pelos desastres relacionados com a água.
Nos últimos cinco anos, estas regiões concentraram pelo menos metade dos eventos extremos relacionados com a água e mais de 80% das mortes associadas, segundo a OMM.
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