Os afogamentos voltaram a ganhar destaque nesta Páscoa, numa altura em que o calor fora de época e os dias de descanso levam muitas pessoas até às praias portuguesas. Com temperaturas próximas das de verão, os nadadores-salvadores deixam um aviso claro: a vontade de ir a banhos não pode fazer esquecer os perigos, sobretudo em zonas sem vigilância, pelo que é importante não virar as costas ao mar.
Entre 2022 e 2025 foram registadas 42 mortes por afogamento durante o período da Páscoa, segundo a Federação Portuguesa de Nadadores-Salvadores, citada pela Euronews. O pior ano foi 2024, com 20 vítimas mortais, um número que levou a federação a voltar a alertar para o risco acrescido destes dias.
“Nos anos anteriores estas duas semanas [do período da Páscoa] têm estado com valores muito acima da média do afogamento”, indicou o presidente da FEPONS, Alexandre Tadeia.
As previsões para este fim de semana ajudam a explicar a preocupação. Para o Domingo de Páscoa são esperadas temperaturas que, em algumas regiões, poderão aproximar-se dos 30 graus, cenário que deverá atrair centenas de pessoas ao litoral.
Calor, férias e praias sem vigilância aumentam o risco
De acordo com os nadadores-salvadores, há vários fatores que se juntam nesta altura do ano. O bom tempo, as férias escolares e a procura por praias ainda sem vigilância criam um contexto particularmente sensível, em que qualquer descuido pode ter consequências graves.
A federação recorda que muitas destas zonas costeiras ainda não contam com dispositivos de segurança próprios da época balnear. Isso significa que, em caso de incidente, a resposta pode ser mais difícil e mais demorada.
O exemplo mais recente aconteceu na Costa da Caparica, no concelho de Almada, onde um jovem de 17 anos desapareceu no mar na praia do Dragão Vermelho. O adolescente estava com amigos e terá entrado na água, acabando por não voltar a ser visto.
O alerta é simples: não virar as costas ao mar
Perante este cenário, os profissionais pedem cautela redobrada a quem decidir aproximar-se da água. A recomendação é evitar praias não vigiadas, manter distância de zonas mais perigosas e nunca virar as costas ao mar, mesmo quando a água parece calma.
No caso de haver crianças, a atenção deve ser ainda maior. Os nadadores-salvadores sublinham que bastam segundos de distração para surgir uma situação crítica, sobretudo em praias onde não existe qualquer apoio permanente.
A federação volta também a defender que a vigilância balnear devia ser pensada de outra forma ao longo do ano. Alexandre Tadeia considera que o atual modelo é insuficiente e entende que o país precisa de uma resposta mais contínua, semelhante à lógica de funcionamento de outras estruturas de emergência, como os bombeiros.
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