O debate em torno das portagens voltou a ganhar força na margem sul do Tejo, com milhares de automobilistas a contestarem a cobrança no Nó da Quinta da Queimada, na ligação entre a A33 e o IC32. A contestação traduz-se numa petição pública que reúne um número crescente de assinaturas e que exige o fim do pagamento naquele ponto específico da rede rodoviária.
Em causa está uma infraestrutura utilizada diariamente por residentes e trabalhadores da Charneca da Caparica e de zonas próximas, para quem a portagem representa um custo regular associado às deslocações quotidianas, sem alternativas viáveis para evitar o pagamento.
Uma ligação usada todos os dias
De acordo com o jornal Diário do Distrito, os subscritores da petição defendem que o Nó da Quinta da Queimada tem uma função essencialmente local, servindo sobretudo movimentos pendulares dentro da mesma área geográfica. A via é apontada como fundamental para a mobilidade de quem vive e trabalha na região.
Segundo a mesma fonte, a inexistência de percursos alternativos eficazes transforma a portagem num encargo inevitável para milhares de utilizadores, que acabam por suportar um custo diário associado ao simples acesso às principais ligações rodoviárias.
Assinaturas que continuam a aumentar
Escreve o jornal que o crescimento contínuo da petição reflete um descontentamento alargado com a política de portagens aplicada naquele troço. Para muitos dos signatários, a cobrança é percecionada como um fator adicional de pressão financeira sobre os agregados familiares.
Acrescenta a publicação que a exigência central passa pela isenção total do pagamento, sustentada no argumento de que o tráfego é maioritariamente local e que a infraestrutura não corresponde a uma lógica de autoestrada de longa distância.
Decisões recentes no Parlamento
Enquanto a contestação local se intensifica, o Parlamento aprovou recentemente o fim das portagens em vários troços do país. Segundo o portal Razão Automóvel, a medida abrange dois lanços da A6 e da A2, bem como a totalidade da A25, com entrada em vigor prevista para 2026.
Refere a mesma fonte que, no caso da A6, a isenção será aplicada entre o nó A2/A6/A13 e Caia, enquanto na A2 abrangerá o troço entre o mesmo nó e Almodôvar, estando limitada a residentes e empresas sediadas nas áreas de influência definidas.
Isenções com regras específicas
De salientar que o acesso à isenção nas A6 e A2 será feito através de um dispositivo electrónico associado à matrícula do veículo, restringindo o benefício a utilizadores previamente enquadrados nos critérios definidos.
No caso da A25, a mesma publicação explica que a maioria do percurso já se encontrava isenta desde o início do ano, subsistindo apenas um pequeno troço com cobrança, agora eliminado para uniformizar o regime em toda a via.
Impacto financeiro e contestação política
Segundo a Razão Automóvel, o PS estima um impacto de 20,5 milhões de euros para o Estado com o conjunto das isenções aprovadas, uma previsão contestada pelo Governo, que alertou para riscos ao excedente orçamental.
A mesma fonte refere ainda que o ministro das Infraestruturas e Habitação anunciou também o fim das portagens na A41 CREP, a partir de 1 de março de 2026, para veículos pesados nos horários de maior pressão, num contexto em que o debate sobre justiça territorial continua a ganhar peso.
















