A possibilidade de um bónus equivalente a dois salários é tema de conversa para os trabalhadores do Novobanco, que aguardam a conclusão da venda ao grupo francês BPCE para saberem quando poderão receber o prémio reivindicado ao longo dos últimos meses. O processo tem mobilizado a administração e a comissão de trabalhadores, que procuram garantir que o reconhecimento pelo contributo dado à recuperação do banco chega finalmente aos colaboradores.
De acordo com o portal de notícias ECO, o CEO Mark Bourke manifestou internamente o compromisso de defender junto dos acionistas a atribuição deste bónus, alinhado com o que vinha sendo solicitado por quem acompanha de perto o processo laboral. Segundo a mesma fonte, o prémio só será pago após a conclusão formal da operação, sendo essa a condição definida desde o início das conversações.
A comissão de trabalhadores revelou que as negociações decorrem “de forma construtiva”, indicando que existe confiança de que o prémio extraordinário será atribuído após cumpridas as etapas previstas no memorando de entendimento. Acrescenta a publicação que esta expectativa assenta na convicção de que o esforço desenvolvido durante os últimos anos deverá ser reconhecido de forma concreta.
Impacto esperado e responsabilidades financeiras
A mesma fonte refere ainda que a comissão de trabalhadores estima um impacto de cerca de 25 milhões de euros associado à atribuição do prémio, valor que considera enquadrado com a dimensão e os resultados alcançados pelo banco. Este reconhecimento é visto como um incentivo adicional numa fase em que a instituição se prepara para uma mudança acionista significativa.
A administração do Novobanco confirmou que o prémio só poderá ser pago após a conclusão da venda, reforçando que a operação ainda depende da última aprovação regulatória. Bruxelas já deu luz verde e aguarda-se agora a autorização do Banco Central Europeu para que o processo fique encerrado.
Venda traz valores expressivos para acionistas e Estado
No âmbito deste negócio, o Estado deverá receber cerca de 1,6 mil milhões de euros pelos 25% que detém na instituição, enquanto a Lone Star deverá encaixar aproximadamente 4,8 mil milhões com a venda da participação maioritária adquirida em 2017. A transação decorre num contexto em que o banco apresentou lucros de 610 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano.
Criado em 2014 após a resolução do BES, o Novobanco conta atualmente com mais de 4.100 trabalhadores. A venda ao grupo BPCE deverá ficar concluída na primeira metade do próximo ano, momento que marcará também a definição final do calendário de pagamento do prémio reivindicado pelos trabalhadores.
Etapa decisiva aproxima-se
Entre os colaboradores mantém-se a expectativa de que o desfecho do processo possa reforçar a estabilidade interna num momento de transição. A comissão de trabalhadores tem procurado garantir que o reconhecimento prometido se traduz numa medida concreta e alinhada com o contributo dos últimos onze anos.
À medida que o calendário se aproxima das decisões finais, fontes ligadas ao processo admitem que o prémio poderá assumir um papel relevante na relação entre a futura administração e a estrutura interna do banco. De acordo com o ECO, o objetivo passa por assegurar que os trabalhadores entram na nova fase institucional com um sinal claro sobre o seu impacto na recuperação da instituição.
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