A demolição da antiga estrutura de bar da Praia do Ourigo, no Porto, arrancou esta terça-feira, 23 de junho, colocando fim a uma imagem que há anos marcava aquela frente marítima. O edifício, abandonado e em ruínas, era apontado como um problema de segurança, de impacto ambiental e de degradação paisagística. A intervenção, conduzida pela Agência Portuguesa do Ambiente, deverá ficar concluída em cerca de 20 dias e representa o desfecho de um processo que se arrastava desde 2015.
De acordo com a agência de notícias Lusa, a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, esteve no local para acompanhar o início dos trabalhos. A governante lembrou que esta era uma intervenção há muito prevista e questionou a demora do processo. “Uma coisa tão óbvia para demolir, não tem outra solução se não demolir”, afirmou, referindo-se à complexidade administrativa que atrasou a obra.
A empreitada tem um custo estimado em 51.000 euros, valor que a ministra considerou reduzido face ao impacto que poderá ter na valorização da zona. “Vai dar valor acrescentado muito grande a esta praia. Vai ser feito, só é pena ter demorado tanto tempo”, acrescentou, sublinhando a importância da recuperação daquele espaço.
“Pequeno monstro” da linha costeira
O presidente da APA, José Pimenta Machado, foi direto na forma como descreveu a estrutura. Chamou-lhe “um pequeno monstro” e defendeu que a sua remoção era essencial. Segundo a mesma fonte, o responsável classificou a demolição como uma “prenda de São João” para a cidade do Porto, numa referência simbólica ao arranque da obra na véspera do feriado municipal.
Questionado sobre a posição do promotor original da estrutura, José Pimenta Machado explicou que a APA cumpriu todos os procedimentos legais antes de avançar. “Notificámos o promotor para demolir, não respondeu, e tomámos a iniciativa”, afirmou, esclarecendo que a intervenção foi assumida pela agência por se tratar de domínio público.
Autarquia fala em devolver espaço à cidade
O presidente da Câmara Municipal do Porto, Pedro Duarte, considerou a operação uma forma de “devolver cidade à comunidade”. Escreve a agência noticiosa que o autarca vê nesta intervenção um exemplo do caminho que pretende seguir para outras zonas da frente marítima e ribeirinha, incluindo espaços como o Edifício Transparente.
As ruínas daquele antigo bar eram a única estrutura identificada no Porto no relatório técnico apresentado pela APA em março, na sequência das tempestades que afetaram a costa portuguesa entre outubro de 2025 e os primeiros meses de 2026.
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