Os juros dos depósitos voltaram a subir pelo terceiro mês consecutivo, mas o aumento continua a ser reduzido. Apesar da descida das taxas de referência do Banco Central Europeu ao longo dos últimos meses ter alimentado o debate sobre a remuneração da poupança, a banca portuguesa continua a oferecer retornos relativamente baixos. O jornalista Camilo Lourenço explica que a razão é simples: os bancos “não precisam” de pagar mais para captar depósitos.
A explicação foi dada na rubrica “Cuidado com a Carteira”, emitida na CMTV, onde o jornalista aborda os fatores que continuam a limitar a subida das taxas oferecidas aos aforradores, apesar da evolução registada nos últimos meses.
Excesso de liquidez reduz necessidade de captar poupança
Por sua vez, o Jornal de Negócios realça que a banca portuguesa continua entre as menos propensas da Europa a aumentar a remuneração dos depósitos. A principal razão prende-se com o elevado nível de liquidez disponível no sistema financeiro.
Na prática, isso significa que as instituições bancárias já dispõem de dinheiro suficiente para financiar a sua atividade e, por isso, não sentem necessidade de competir entre si através de taxas mais atrativas para captar novos depósitos.
“Porque não precisam”
Na rubrica transmitida pela CMTV, Camilo Lourenço resumiu a situação de forma direta: os bancos não aumentam mais os juros dos depósitos “porque não precisam”. Segundo explica, quando existe abundância de liquidez, as instituições financeiras deixam de ter incentivo para oferecer remunerações mais elevadas aos clientes, uma vez que conseguem assegurar as suas necessidades de financiamento sem recorrer a uma guerra de taxas.
Os dados mais recentes mostram que a remuneração média dos depósitos voltou a crescer pelo terceiro mês consecutivo. Ainda assim, o ritmo dessas subidas continua bastante moderado. Esta evolução contrasta com a expectativa de muitos aforradores, que esperavam uma concorrência mais intensa entre os bancos e um aumento mais expressivo dos juros pagos pelas aplicações a prazo.
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