Trabalhar até quase aos 70 anos pode vir a ser a condição necessária para garantir uma pensão semelhante ao ordenado recebido durante a vida ativa. A idade de saída do mercado de trabalho, sobretudo para quem hoje começa a carreira contributiva, tende a estender-se no tempo, e só perto dos 68 anos será possível aproximar a reforma do último salário líquido. A SIC Notícias cita um recente estudo da OCDE que estima os requisitos para assegurar uma taxa de substituição superior a 90%.
A mesma fonte indica que um jovem que tenha iniciado descontos em 2024, aos 22 anos, precisará de acumular 46 anos de trabalho para não sofrer cortes no valor final da pensão. Esta condição aplica-se apenas quando o trabalhador se reforma na idade legal e mantém uma carreira contributiva contínua.
Idade a subir e pensões a acompanhar
Nos próximos anos, o prolongamento da vida laboral coloca Portugal entre os países com idades de reforma mais elevadas. Caso as estimativas se confirmem, o país pode atingir uma das posições cimeiras entre os membros da OCDE no que toca ao nível de reposição do rendimento no momento da aposentação. Com uma carreira completa até aos 68 anos, o valor recebido na reforma poderá ultrapassar 90% do último salário líquido.
Escreve a publicação que esta aproximação ao rendimento final não é comum na maioria dos países europeus. A média da União Europeia aponta para uma pensão equivalente a 68% do último salário depois de impostos.
Reformar cedo pode sair caro
Há, porém, quem opte por sair mais cedo. Nesses casos, avisa a mesma fonte, os cortes podem ultrapassar os 17% já no próximo ano, refletindo uma penalização por antecipação. A idade de reforma prevista para 2027 situa-se nos 66 anos e 11 meses, um limiar abaixo do necessário para garantir o cenário de taxa de substituição mais elevada indicado pela OCDE.
O contraste torna-se mais evidente quando comparado com outras geografias. Em países como a Lituânia ou a Irlanda, os trabalhadores podem terminar a vida ativa com pensões entre 28 e 33% do último ordenado, com idades de reforma que oscilam entre os 65 e os 71 anos.
Europa a ritmos diferentes
A SIC Notícias lembra que, no conjunto europeu, Portugal surge acima da média quando completa uma carreira contributiva longa. Ainda assim, a exigência temporal coloca desafios significativos às gerações que hoje iniciam a atividade. Prolongar a carreira significa garantir uma pensão mais próxima do padrão salarial final, mas também adiar o momento de sair do mercado de trabalho.
A alternativa a esse percurso passa por aceitar uma redução no valor futuro, caso a decisão de se reformar seja tomada antes do limite legal. Nesta equação, a escolha entre tempo e rendimento torna-se central para quem projeta o fim da vida laboral.















