A plantação de 700 sobreiros realizada por um grupo de voluntários no separador central da Av. dos Estados Unidos da América, em Lisboa, no último domingo (30 de novembro), terminou com a identificação policial de dois participantes, entre eles um homem de 78 anos, e uma multa para pagar. A situação foi relatada na reunião da Assembleia Municipal de Lisboa, onde o caso reacendeu o debate sobre o tratamento dos espaços verdes e a forma como a autarquia encara intervenções cidadãs.
De acordo com a agência de notícias Lusa, Nuno Prates apresentou-se na sessão como cidadão sem ligação partidária, explicando que costuma dinamizar “algumas iniciativas com voluntários” ligadas à renaturalização. Segundo a mesma fonte, esta intervenção surgiu após a constatação de que árvores plantadas pela Junta de Freguesia de Alvalade tinham morrido, levando o grupo a tomar a decisão de as substituir.
Os voluntários receberam “uma doação de sobreiros” e optaram por plantá-los “na época correta” para resistirem àquilo que descrevem como “negligência e desinteresse totais” por parte da autarquia na manutenção da vegetação urbana. Acrescenta a agência noticiosa que foram colocados “700 exemplares em linha, com 10 centímetros de altura”, justificando a quantidade devido à fraca taxa de sobrevivência sem cuidados regulares dos serviços municipais.
Denúncia da moradora e a intervenção da Polícia Municipal
A intervenção decorria com mensagens de incentivo de vários moradores, mas o processo alterou-se quando uma funcionária da câmara contactou a Polícia Municipal. Refere a mesma fonte que os agentes acabaram por identificar Prates e outro voluntário de 78 anos, uma vez que não possuíam autorização para a ação.
Prates questionou a posição da autarquia, recordando que a denunciante “foi dirigente de um programa que se chama Renaturalizar a Cidade” e que “a sua primeira atitude foi puni-los”. O ativista relatou ainda que os polícias ouviram as explicações, mas esclareceram que “tinham de cumprir a lei”.
Reações do público e pedidos de esclarecimento
Outra munícipe lamentou que “a câmara municipal muitas vezes não tem o cuidado devido para com os espaços verdes” e afirmou que, apesar das queixas apresentadas às entidades locais, “as árvores continuam a ser todos os dias cortadas na zona de Encarnação”. Escreve a Lusa que a intervenção sublinhou a necessidade de envolver cidadãos na recuperação ambiental, agradecendo que “a situação seja devidamente esclarecida também lá na câmara”.
Um outro voluntário classificou o episódio como difícil de compreender, perguntando “como é que uma pessoa ligada ao Ambiente da câmara fica chocada de ver voluntários que estão a fazer um trabalho que apoia” a própria autarquia, afirmando que o grupo atua “de forma voluntária”.
Voluntários deixam nota final
O presidente da assembleia, André Moz Caldas, garantiu que todas as questões seriam remetidas ao executivo para resposta. Na nota final enviada pelos voluntários, citada pela mesma fonte, a reflexão surge em tom crítico: para quem governa, escreveram, o que fazem “é ilegal, deve ser impedido e penalizado”, concluindo com ironia: “Somos criminosos. Plantamos e cuidamos dos espaços verdes”.
Leia também: Vai chegar uma frente fria e muita chuva a Portugal neste dia e estas serão as zonas mais afetadas
















