O fundador da SIC e do Expresso, Francisco Pinto Balsemão, morreu a 21 de outubro deste ano, com 88 anos, e o documento que define a distribuição dos seus bens tornou públicos não apenas valores, mas relações construídas ao longo de décadas. De acordo com revista Sábado, Balsemão deixou mais de 300.000 euros a colaboradores de confiança, num último testamento assinado a 6 de fevereiro de 2020, depois de cinco versões anteriores.
Entre os beneficiários surge um nome em destaque: José Sousa, motorista durante 33 anos, que recebeu o maior montante individual reservado fora da família.
O motorista e a ligação que passou dos bastidores para o testamento
Segundo a mesma fonte, Sousa foi mais do que um funcionário. Acompanhou viagens, participou em horas de estrada e chegou a ser o primeiro a quem Balsemão mostrava novos programas do canal que fundou. Escreve a publicação que esse vínculo se materializou em 100.000 euros de herança atualizados para cerca de 116.000 no momento da morte. No velório, no Mosteiro dos Jerónimos, Sousa esteve presente de forma discreta mas constante, repetindo o papel que ocupou ao longo de três décadas. A relação era próxima, com viagens partilhadas no mesmo banco e momentos em que o patrão pedia para trocar de lugar e conduzia ele próprio.
As disposições do testamento vão além de legados pessoais. O documento de 2020 revogou versões anteriores e consolidou decisões que acompanhavam a evolução patrimonial e familiar desde o primeiro testamento, feito em 1966. Esse registo inicial surgiu após o nascimento da filha Mónica e da herança recebida do pai, que incluía participação no Diário Popular e negócios industriais reunidos sob a Sociedade Francisco Pinto Balsemão.
Património, imóveis e o desenho da sucessão
De salientar que a história familiar atravessa o testamento final, incluindo o casamento com Isabel Costa Lobo, seguido da união com Tita em 1975. A esta última deixou a casa da Quinta da Marinha, único imóvel que possuía à data da morte, após a venda do palacete da Lapa entre 2023 e 2024. Já os cinco filhos, Mónica, Henrique, Francisco Maria, Joana e Francisco Pedro, recebem participações equivalentes na holding Balseger, cerca de 929.482 ações cada um, representando 2% do total. Pela mesma estrutura controlam indiretamente a maior parte do capital da Impresa.
Explica a revista que às ações se juntam quotas da Sociedade Francisco Pinto Balsemão e participações na Impresa avaliadas em cerca de 1,26 milhões de euros. Os herdeiros diretos recebem ainda o remanescente da quota disponível, depois de atribuídos os montantes reservados individualmente. Tita, casada em regime de separação de bens, tem direito a um quarto da herança, além da totalidade das participações da Estrelícia e de créditos e depósitos não especificados no documento.
Outras beneficiárias e sinais de continuidade
Conforme a Sábado, o testamento também contempla antigas colaboradoras. Maria José, ex-funcionária, recebe 70.000 euros destinados à compra de um imóvel, valores a entregar apenas no momento da aquisição, além de 50.000 em numerário e uma pensão vitalícia correspondente a duas vezes o salário mínimo. Margarida, amiga próxima, está igualmente incluída com um legado de 100.000 euros, a atualizar no momento da morte, tal como os restantes montantes atribuídos aos colaboradores.
Os testamentos anteriores, alguns mantidos em sigilo, ajudam a ler o percurso de vida do fundador da Impresa. Houve reorganizações após a saída da política em 1986, ajustes patrimoniais durante o conflito com o BES em 2005 e uma versão em 2010 que distribuiu bens de forma semelhante à atual. Apesar das revisões, mantém-se um padrão: proteger família, empresa e quem acompanhou a sua rotina profissional e pessoal ao longo de décadas.
















