O mapa do retalho alimentar no sul do país vai sofrer uma alteração profunda com a nova fase de expansão de um gigante espanhol. A Mercadona confirmou oficialmente a sua chegada ao Algarve e promete agitar a concorrência com a abertura de várias lojas de grande superfície. Os consumidores algarvios aguardavam este momento com grande expectativa e as datas para o corte da fita já estão definidas.
A confirmação foi dada pelo próprio líder máximo da empresa durante a recente apresentação de resultados financeiros que decorreu na cidade de Valência. A informação é avançada pelo Jornal Económico, que esteve presente no evento ibérico. O plano estratégico da retalhista prevê a inauguração de doze novos espaços comerciais em território nacional apenas durante o presente ano.
As cidades escolhidas a sul
A estreia da marca na região algarvia está agendada para o final do verão e vai abranger dois dos concelhos mais populosos do distrito. Portimão e Faro foram as cidades selecionadas pela administração para acolher as primeiras superfícies comerciais no extremo sul de Portugal. Estas aberturas representam um marco histórico para a empresa que procura consolidar a sua presença em todas as províncias do país.
Indica a mesma fonte que o plano de crescimento vai permitir à cadeia de distribuição entrar em quatro novos distritos de forma simultânea. Além da capital algarvia, o mapa de inaugurações inclui a chegada a localidades como Vila Real, Beja e Castelo Branco. A cidade da Covilhã também figura na lista de prioridades para os próximos meses de atividade intensa.
O reforço a nível nacional
O plano de expansão abrange outras zonas geográficas estratégicas como Viseu, Sintra, Moita, Amarante, Maia e Esposende. O ritmo de aberturas já teve início com a inauguração da segunda superfície comercial na zona da Alta de Lisboa. Este espaço na capital representou a septuagésima loja da cadeia a operar em pleno no mercado português.
O esforço financeiro alocado a esta operação de crescimento territorial atinge a fasquia dos cento e cinquenta milhões de euros. Trata-se de uma aposta clara num mercado onde a marca já conquistou uma quota de quase nove por cento do total de vendas. A expansão para os arquipélagos dos Açores e da Madeira continua fora dos planos imediatos da estrutura diretiva.
Resultados e adaptação cultural
A operação nacional encerrou o último exercício financeiro com um crescimento na ordem dos dezoito por cento na faturação global. O lucro líquido atingiu os vinte e seis milhões de euros, um número que a gestão considera positivo mas com margem para melhoria. O diretor executivo assumiu o desejo de ver a sua estrutura a aprofundar o conhecimento sobre a cultura e os hábitos lusitanos.
Explica a referida fonte que o responsável máximo admitiu a necessidade de a empresa se tornar mais portuguesa na sua abordagem comercial. A existência de um grande bloco logístico em Almeirim tem ajudado neste processo de aprendizagem e de integração territorial. A meta passa por compreender a realidade portuguesa com a mesma profundidade com que os cidadãos nacionais conhecem o país vizinho.
Incerteza global e impostos
O contexto macroeconómico e as tensões no Médio Oriente mereceram uma análise cautelosa por parte da liderança durante a conferência de imprensa. A flutuação dos preços do petróleo e das matérias primas reflete-se obrigatoriamente no valor final cobrado aos clientes nas prateleiras. A duração imprevisível dos conflitos armados obriga a uma capacidade de adaptação constante por parte do tecido empresarial.
Explica ainda o Jornal Económico que o tema da fiscalidade sobre os bens alimentares essenciais foi abordado com particular ênfase pelo gestor. O líder da distribuição manifestou o seu apoio a um eventual regresso da medida de isenção total do imposto sobre o valor acrescentado. Na sua perspetiva, os governos ibéricos deveriam voltar a aplicar o chamado imposto zero para aliviar o orçamento das famílias.
















