O mercado do retalho alimentar em Portugal prepara-se para uma transformação profunda impulsionada por um plano de expansão muito agressivo de uma insígnia de origem germânica. Esta conhecida cadeia de supermercados, que iniciou a sua operação no país a partir da região do Algarve, acaba de anunciar um novo investimento milionário cujo o objetivo central passa por inaugurar 90 novas lojas de norte a sul do território e cimentar a aposta numa categoria de frescos de origem cem por cento nacional.
A marca em questão é a Aldi, que tenciona injetar cerca de 500 milhões de euros na economia portuguesa ao longo dos próximos anos. A informação é avançada pelo jornal Expresso, que entrevistou o diretor de expansão e construção da empresa. João Braz Teixeira confirmou que a estratégia de crescimento acelerado desenhada pela administração europeia é para manter a todo o gás.
A história da empresa em solo luso começou no ano de dois mil e seis, com as primeiras aberturas concentradas na zona sul. A escolha incidiu sobre o Algarve para aproveitar a forte presença de turistas estrangeiros que já se encontravam familiarizados com os produtos. Até 2020, o ritmo manteve-se nas cinco inaugurações anuais, mas o sucesso alcançado levou a casa mãe a exigir uma presença em todo o território.
O domínio da logística e o modelo urbano
Indica a mesma fonte que o aumento do número de espaços comerciais exigiu uma reestruturação profunda da rede de abastecimento da empresa. A marca construiu um enorme entreposto na Moita para servir o sul e o centro, sendo esta uma das maiores plataformas do grupo na Europa. Para dar resposta à zona norte, a entidade abriu um armazém em Valongo e planeia inaugurar uma estrutura definitiva em Santo Tirso até dois mil e trinta.
O formato tradicional assenta em edifícios de mil e quinhentos metros quadrados, com o propósito de manter a mesma imagem em qualquer país europeu. Contudo, a vontade de penetrar no centro de cidades como Lisboa e o Porto obrigou a uma adaptação logística sem precedentes. Portugal serviu de laboratório de testes para um conceito de espaços de menor dimensão, que já está a ser exportado para nações como Espanha e França.
A aposta nos produtos nacionais
O compromisso com a produção interna assume um papel de grande relevo na estratégia comercial desenhada para conquistar o consumidor luso. Explica a referida fonte que a relação com os fornecedores portugueses é encarada como um pilar fundamental e inegociável para a administração da cadeia. Embora a percentagem total varie consoante a tipologia de artigo, uma fatia muito significativa das prateleiras é preenchida com bens de origem nacional.
A aposta ganha um destaque absoluto na categoria de frescos, onde a totalidade da oferta disponível provém integralmente de produtores estabelecidos em Portugal. Os corredores das lojas contam com cerca de duas mil referências distintas para os clientes escolherem durante as suas compras diárias. A esmagadora maioria destes bens pertence às cinquenta marcas próprias do grupo, que representam oitenta por cento de todas as vendas efetuadas no país.
Um crescimento a dois dígitos
A expansão acelerada dos últimos cinco anos traduziu-se numa duplicação da quota de mercado, que atinge agora a marca dos três por cento. Este resultado coloca a insígnia germânica no sétimo lugar do pódio nacional do retalho alimentar, num setor altamente competitivo. A empresa fechou o ano de dois mil e vinte e cinco presente em dezassete dos dezoito distritos de Portugal continental, com a chegada a Bragança prevista para breve.
O volume de trabalho gerado por este crescimento traduziu-se na contratação de milhares de colaboradores para assegurar o funcionamento das operações diárias. O número de trabalhadores duplicou no último lustro, ultrapassando atualmente a barreira dos dois mil e quinhentos funcionários efetivos. Cada novo espaço comercial inaugurado no país representa a criação direta de cerca de vinte postos de trabalho nas respetivas comunidades locais.
A burocracia como o grande obstáculo
Apesar do balanço francamente positivo e da vontade férrea de investir, o processo de abertura esbarra frequentemente na complexidade da máquina administrativa do Estado. Os responsáveis da empresa lamentam os constrangimentos contínuos relacionados com o licenciamento, que obrigam os dossiês a circular por dezenas de entidades públicas distintas. Estas barreiras burocráticas dificultam severamente o cumprimento dos orçamentos e das calendarizações previamente estabelecidas com a sede internacional do grupo.
O tempo de espera para a aprovação e construção de um supermercado pode oscilar de forma imprevisível entre uns meros seis meses e uns longos cinco anos. Existem casos relatados onde a infraestrutura se encontra totalmente terminada e pronta a funcionar, mas as portas permanecem trancadas ao público. Os atrasos incompreensíveis na emissão da licença de utilização ou as falhas na ligação à rede de energia elétrica justificam estes bloqueios indesejados.
Explica ainda o Expresso que as câmaras municipais situadas nos territórios do interior do país apresentam uma postura bastante mais ágil e colaborativa com as marcas. Estas autarquias valorizam imenso a captação de investimento privado e aceleram os trâmites legais para garantir a rápida criação de emprego na sua região. No final de todo o processo burocrático, a qualidade da construção final efetuada em solo luso chega a ser superior àquela que se regista na própria Alemanha.
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