Portugal é reconhecido pelos próprios cidadãos como um país educado, mas não conquista destaque quando olhado pelo resto do mundo. Um estudo internacional sobre boas maneiras e civismo, conduzido pelo site norte-americano especializado em transferências financeiras Remitly, revela como a perceção externa nem sempre coincide com a avaliação interna dos países.
Europa em evidência
De acordo com a Remitly, o Japão lidera o ranking global de países mais educados, seguido pelo Canadá. O Reino Unido surge em terceiro lugar, sendo o país europeu mais bem posicionado na lista. O estudo envolveu cerca de 5.000 participantes de 26 países e procurou avaliar dois aspetos: identificar quais os países considerados mais educados pelos visitantes e perceber como os cidadãos classificam a própria cortesia e civismo.
Segundo a mesma fonte, a posição do Reino Unido deve-se a comportamentos sociais reconhecidos, como o uso frequente de expressões de cortesia como “por favor” e “obrigado”, a cultura de filas organizadas e um humor auto-depreciativo presente na sociedade britânica. Outros países europeus também surgem em destaque. A Alemanha ocupa o quinto lugar global, associada a valores como pontualidade, respeito pela privacidade e consideração pelo próximo.
Discrepâncias entre perceção externa e interna
O estudo mostra, no entanto, que a autoavaliação revela discrepâncias significativas. Os britânicos, apesar de estarem bem colocados na perceção internacional, situam-se apenas na metade inferior do ranking quando se avaliam a si próprios.
A Alemanha apresenta uma diferença ainda mais acentuada: vista como um dos países mais educados, ocupa apenas a 21.ª posição na autoavaliação dos seus cidadãos. O Japão, líder mundial, surge em 25.º lugar quando avalia a própria educação, evidenciando a tendência para a autocrítica.
Portugal e a perceção interna versus externa
Portugal não integra o grupo de países mais educados segundo a perceção internacional. Ainda assim, os portugueses destacam-se pela forma positiva como avaliam o seu próprio comportamento.
No ranking de autoavaliação do estudo, o país ocupa a 10.ª posição, com uma pontuação média de 9,29 numa escala de 0 a 10. Este contraste entre reconhecimento externo e autoimagem aproxima Portugal de outros casos observados, onde a perceção interna nem sempre coincide com a visão internacional.
Pequenas diferenças, grande tendência
Segundo a Remitly, uma das conclusões mais relevantes é a pequena diferença entre os países na autoavaliação. Menos de um ponto separa os que apresentam as pontuações mais altas dos que têm os valores mais baixos, sugerindo uma tendência global para considerar-se educado.
Os participantes responderam a questões sobre o seu comportamento quotidiano, incluindo o respeito por desconhecidos, e a pontuação foi atribuída com base na concordância com estas práticas.
O estudo evidencia ainda que a Europa assume um papel de relevo, com mais de metade dos países no top 25 de mais educados a nível mundial. Contudo, os resultados sublinham que educação e civismo são conceitos culturais complexos, moldados tanto pelo comportamento social como pela perceção individual.
As discrepâncias entre a forma como os países se veem e como são vistos demonstram que a educação vai além de simples atitudes, sendo também um reflexo de identidade e cultura, segundo a mesma fonte.
















