Nem todos os portugueses podem continuar a recorrer ao tradicional triângulo de sinalização quando circulam em Espanha e essa diferença já se tornou definitiva esta quinta-feira, 1 de janeiro. Os cidadãos portugueses residentes no país vizinho e que conduzem veículos com matrícula espanhola passam a estar legalmente impedidos de usar este equipamento em caso de avaria ou acidente.
De acordo com a estação de rádio TSF, a nova regra decorre de uma alteração legislativa aprovada pelas autoridades espanholas, que elimina o triângulo de pré-sinalização de perigo e o substitui por um dispositivo luminoso conectado. A mudança aplica-se apenas a viaturas registadas em Espanha, o que cria uma distinção clara entre turistas e residentes com carros matriculados no país.
Quem está mesmo proibido de usar o triângulo
Os portugueses que vivem em Espanha e possuem automóveis com matrícula espanhola deixam de poder utilizar o triângulo a partir de 2026, ficando obrigados a usar um sistema luminoso homologado.
Segundo a mesma fonte, os condutores portugueses que circulem em Espanha com viaturas matriculadas em Portugal não são abrangidos por esta proibição, podendo continuar a cumprir as regras do seu país de origem quando em deslocação temporária.
O que substitui o triângulo nas estradas espanholas
O novo dispositivo adotado em Espanha, o V-16, consiste numa luz avisadora que se coloca no tejadilho do veículo e emite um sinal luminoso visível a longa distância, explica a estação de rádio. Este equipamento inclui um cartão SIM, semelhante ao dos telemóveis, que envia automaticamente a localização do veículo.
A informação é transmitida à Direção-Geral de Trânsito (DGT) espanhola e às forças de segurança, permitindo identificar rapidamente a posição de um carro imobilizado, sem que o condutor tenha de sair da viatura para colocar sinalização na estrada.
Informação partilhada em tempo real
A sinalização luminosa não se limita às autoridades. Os dados de localização chegam também a aplicações de navegação, softwares de trânsito e painéis eletrónicos nas estradas, alertando outros condutores para a ocorrência. Segundo as indicações da DGT, os ocupantes do veículo só devem abandonar o carro depois de ativada a luz e apenas se existir um local seguro fora da faixa de rodagem, reduzindo o risco de atropelamentos.
A alteração legislativa em Espanha reacendeu o debate em Portugal sobre a utilidade do triângulo. O presidente do Automóvel Clube de Portugal (ACP) considera que a mudança faz sentido. “O triângulo já está muito ultrapassado”, afirmou Carlos Barbosa à TSF, acrescentando que “à noite não se vê rigorosamente nada”, defendendo que a sinalização luminosa oferece maior segurança aos condutores.
As reservas e o enquadramento legal português
O responsável do ACP admite, no entanto, que uma eventual adoção em Portugal exigiria um período de adaptação, explicando que seria necessário dar tempo aos condutores para adquirirem o novo equipamento, refere a mesma fonte.
A Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária esclareceu que, à data, a legislação portuguesa apenas admite o uso do triângulo de pré-sinalização de perigo, não estando prevista a obrigatoriedade de dispositivos luminosos.
Um modelo pioneiro que pode espalhar-se
As autoridades espanholas consideram este sistema pioneiro e admitem que venha a ser seguido por outros países, explica a rádio. A medida pretende responder a problemas de segurança associados à colocação manual do triângulo, sobretudo em vias rápidas.
Enquanto isso, a distinção é clara: os únicos portugueses proibidos de usar o triângulo em Espanha são aqueles que vivem no país e conduzem veículos com matrícula espanhola, uma diferença que ganha peso já no início deste ano.
















