Encontrar um lugar para estacionar nem sempre é fácil, sobretudo em zonas urbanas. Quando surge uma vaga do outro lado da rua, há condutores que atravessam a via e deixam o carro estacionado no sentido contrário ao da circulação. Pode parecer apenas uma solução rápida, mas esta prática é proibida e pode dar coima.
Segundo explica o ACP, o estacionamento está regulado pelo Código da Estrada e deve respeitar regras pensadas para garantir a segurança rodoviária. Há infrações mais conhecidas, como estacionar em cima de passadeiras, em passeios, em lugares reservados a pessoas com deficiência ou demasiado perto de cruzamentos, rotundas, curvas, entroncamentos e lombas de visibilidade reduzida. No entanto, há outra regra que muitos condutores continuam a ignorar: quando estaciona na faixa de rodagem, o veículo deve ficar no sentido da marcha.
Carro deve ficar alinhado com o sentido da via
O artigo 48.º do Código da Estrada determina que, dentro das localidades, a paragem e o estacionamento devem ser feitos nos locais destinados a esse efeito e pela forma indicada. Quando ocorrem na faixa de rodagem, devem ser feitos o mais próximo possível do limite direito, paralelamente a este e no sentido da marcha.
Ou seja, não basta haver espaço para o carro. A viatura tem de ficar posicionada de acordo com o sentido de circulação da via onde se encontra, salvo quando exista lugar próprio devidamente marcado ou sinalização que indique outra forma de estacionamento.
Fora das localidades, a regra é ainda mais exigente. A paragem e o estacionamento devem fazer-se fora da faixa de rodagem. Quando isso não for possível, e apenas no caso de paragem, o veículo deve ficar o mais junto possível do limite direito, paralelamente a este e no sentido da marcha.
Quem estacionar em sentido contrário dentro das localidades, fora da forma permitida pelo Código da Estrada, pode ser punido com uma coima entre 30 e 150 euros. Fora das localidades ou em situações diferentes, como estacionamento indevido na faixa de rodagem, o enquadramento pode ser outro e as coimas podem ser superiores.
Refletores ajudam a evitar acidentes
Uma das explicações está nos refletores dos automóveis. O ACP recorda que estes elementos obrigatórios estão colocados na traseira do veículo para refletirem a luz dos faróis dos carros que se aproximam, ajudando a assinalar a presença da viatura na via pública.
Se o carro estiver estacionado virado ao contrário, essa sinalização fica comprometida. À noite ou em zonas com pouca iluminação, a situação pode aumentar o risco de acidente, porque os restantes condutores podem não perceber corretamente a posição do veículo.
Também as luzes dianteiras podem causar confusão quando o automóvel está estacionado em sentido contrário. Em certas condições, podem dar uma leitura errada sobre a orientação do carro, criando dúvidas para quem circula na mesma via.
Encontrar lugar não chega
Além de respeitar o sentido da marcha, há outros cuidados que ajudam a evitar coimas e manobras perigosas. Antes de estacionar, o condutor deve confirmar se o espaço é suficiente para o veículo, sinalizar a manobra com os piscas e verificar se não condiciona a passagem de peões, de outros automóveis ou o acesso a garagens e entradas.
No estacionamento em paralelo, comum nas ruas das cidades, o ideal é alinhar o carro com a viatura que está à frente do lugar, iniciar a marcha-atrás devagar e corrigir a direção com atenção aos espelhos e às distâncias em relação aos veículos da frente e de trás.
No estacionamento em espinha, geralmente mais simples, o condutor deve afastar ligeiramente o veículo antes de entrar no lugar, confirmar que não há trânsito a aproximar-se e centrar bem a viatura para deixar espaço suficiente para abrir as portas. Já no estacionamento perpendicular, frequente em parques públicos, a manobra pode ser feita de frente ou de marcha-atrás, sendo esta última muitas vezes mais prática para sair.
A regra essencial é simples: encontrar uma vaga não chega. É preciso estacionar no local permitido, da forma correta e no sentido certo. Caso contrário, aquele lugar que parecia perfeito pode acabar por custar até 150 euros.
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