Há muito que os turistas espanhóis destacam e exploram os encantos do Algarve e de outras regiões portuguesas. Mas agora, uma cidade discreta a sul de Lisboa começa a ganhar destaque entre os nossos vizinhos. Com raízes antiquíssimas, localização ribeirinha e um castelo no topo, tem vindo a ser descrita pela imprensa espanhola como uma das mais antigas da Europa — e como uma surpresa que vale a pena descobrir.
A cidade em questão, apesar de não figurar entre os destinos turísticos mais procurados, preserva um património singular e uma relação profunda com o território que a rodeia. Fundada por fenícios por volta do século X a.C., desenvolveu-se sobre uma encosta com vista direta para o rio.
A sua posição estratégica foi determinante para o papel que veio a assumir ao longo da história, sobretudo no domínio militar e comercial. Ainda hoje, a configuração da cidade reflecte essa herança.
Estamos a falar de Alcácer do Sal, no Alentejo Litoral — uma das povoações mais antigas da Europa e que continua, ainda hoje, a surpreender quem por lá passa.
Um castelo no alto e um passado debaixo da terra
No ponto mais elevado da cidade ergue-se uma fortaleza medieval que oferece uma vista ampla sobre o rio Sado, os arrozais e o casario branco. Trata-se de um castelo com origens islâmicas, rodeado por muralhas construídas em barro.
Estas estruturas defensivas são hoje consideradas raras no contexto da arquitetura militar do sul do país, tendo resistido às transformações dos séculos.
Parte das torres foi convertida na Pousada D. Afonso II, um espaço que preserva a traça histórica ao serviço do turismo patrimonial.
No interior do recinto muralhado encontra-se a Igreja de Santa Maria do Castelo, edifício que alberga por baixo de si a maior cripta arqueológica do país.
O acesso à cripta é gratuito e o espaço permite observar sucessivos estratos arqueológicos representando várias fases da ocupação da cidade.
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Um centro histórico de traça tradicional
Para alcançar a fortificação, é necessário subir pelas ruas íngremes do centro histórico, onde o traçado irregular convida a percursos a pé.
As casas exibem paredes caiadas, varandas em ferro e azulejos decorativos, compondo uma imagem que se manteve praticamente inalterada ao longo do tempo.
Um dos pontos centrais do núcleo urbano é a Praça Pedro Nunes, onde se ergue uma estátua do matemático e astrónomo local.
De entreposto comercial a ponto de descoberta
Alcácer do Sal desempenhou no passado um papel relevante no comércio fluvial, tendo cunhado moeda própria e beneficiado de um porto interior de grande importância.
A sua ligação ao Sado foi sempre determinante para a atividade económica e para o contacto com outras regiões, daí a denominação de Alcácer do Sal de “jóia do Sado” por parte do site espanhol 20minutos. Hoje, essa ligação mantém-se sobretudo na relação visual e afetiva da cidade com o curso do rio, visível a partir da ponte metálica que o atravessa.
Aldeias vizinhas com identidade alentejana
Santa Susana, Comporta e Setúbal surgem nas imediações como extensões culturais e geográficas desta zona do Alentejo Litoral.
A arquitetura tradicional, o contacto com a terra e a continuidade do modo de vida rural são visíveis nas aldeias próximas.
A cidade que agora desperta lá fora
A recente atenção dedicada a Alcácer do Sal surgiu na imprensa espanhola, com destaque na revista Viajar, especializada em turismo cultural e histórico.
Segundo a publicação, a cidade oferece um equilíbrio raro entre autenticidade, património e tranquilidade, elementos cada vez mais valorizados por viajantes que fogem de destinos saturados.
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