As empresas portuguesas continuam entre as que mais falham os prazos de pagamento aos fornecedores na Europa. Apenas 20,2% cumprem as datas acordadas, colocando Portugal no penúltimo lugar de um ranking internacional que analisou 37 países e revelando um agravamento da diferença face à média da UE.
Segundo a agência de notícias Lusa, que cita a 12.ª edição do estudo sobre o comportamento de pagamento das empresas em Portugal, elaborado pela Informa D&B, 65,2% das empresas pagam até 30 dias depois do prazo acordado. Outras 9% demoram entre 30 e 90 dias e 5,6% ultrapassam mesmo os 90 dias de atraso.
O relatório internacional, referente a dezembro de 2025, coloca Portugal na penúltima posição entre os 37 países analisados, ficando apenas à frente da Bulgária. O estudo evidencia ainda que a distância para a média europeia continua a aumentar.
Diferença para a Europa nunca foi tão elevada
Após a transposição da Diretiva Europeia de Pagamentos, em 2013, a percentagem de empresas que cumprem os prazos na União Europeia atingiu os 52% no final de 2025. Em Portugal, esse indicador permanece nos 20,2%, o que representa uma diferença de 32 pontos percentuais.
Segundo a mesma fonte, trata-se da maior distância alguma vez registada entre Portugal e a média comunitária neste indicador, refletindo uma evolução menos favorável do tecido empresarial nacional ao longo dos últimos anos.
Há setores onde os atrasos são maiores
O estudo mostra que nem todos os setores apresentam o mesmo comportamento. O comércio grossista regista o menor atraso médio, com cerca de 19 dias, enquanto o alojamento e a restauração surgem na posição oposta. Neste último setor, o atraso médio atinge os 30 dias e apenas 11% das empresas conseguem pagar aos fornecedores dentro do prazo inicialmente acordado, escreve a publicação.
Os dados revelam ainda que são as grandes empresas que menos cumprem os prazos de pagamento. Apenas 4% liquidam as suas obrigações dentro do tempo previsto nos contratos. Apesar disso, acrescenta a agência noticiosa, estas empresas apresentam menos situações de atrasos muito prolongados, o que indica um comportamento de pagamento mais previsível e com menor probabilidade de incumprimentos considerados graves.
Cresce o número de empresas em risco
O relatório utiliza o indicador Risk Delinquency, desenvolvido pela Informa D&B, para identificar empresas com maior probabilidade de acumularem atrasos superiores a 90 dias junto de pelo menos um credor.
Os resultados apontam para cerca de 66.000 empresas nesta situação, o equivalente a 12% do universo empresarial analisado. No ano anterior eram cerca de 43.000, o que representa um aumento expressivo do número de entidades consideradas de maior risco.
A análise incidiu sobre empresas ativas a 5 de maio de 2026 com informação disponível sobre comportamento de pagamento. Para avaliar os atrasos foi utilizado o indicador estatístico Paydex, desenvolvido pela Dun & Bradstreet, que mede o número médio de dias que as empresas demoram a pagar relativamente aos prazos acordados com os fornecedores.
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