Uma transferência bancária aparentemente rotineira resultou numa perda de cerca de 25.000 euros para um empresário de Trás-os-Montes, num caso que levanta dúvidas sobre a segurança das operações de homebanking e a resposta das instituições financeiras a situações de fraude informática. O episódio envolve um cliente do Novo Banco e a instituição aponta para a eventual existência de um “vírus malicioso” no equipamento utilizado.
De acordo com o jornal Correio da Manhã, Nelson Carvalho, proprietário de uma empresa de distribuição de gás e rações em Torre de D. Chama, no concelho de Mirandela, estava a efetuar uma transferência para um fornecedor quando ocorreu a situação.
Segundo a mesma fonte, apenas dias depois percebeu que o valor transferido não tinha chegado ao destinatário, tendo sido detetada uma alteração do IBAN de destino, sem qualquer alerta prévio ao cliente.
Outras transferências que o empresário nega
Escreve o jornal que este não foi o primeiro indício de irregularidades na conta, uma vez que já tinha sido identificada uma transferência anterior de quase 5.000 euros que Nelson Carvalho afirma nunca ter realizado.
Acrescenta a publicação que, após o contacto com o banco, foram ainda identificadas várias tentativas adicionais de transferências, das quais o empresário diz não ter tido conhecimento nem recebido notificações de segurança.
Refere a mesma fonte que o Novo Banco atribuiu a situação a um possível “vírus malicioso”, defendendo que as operações teriam sido feitas com autorizações válidas do cliente. O empresário contesta esta versão e explica ao Correio da Manhã que mandou analisar o computador utilizado nas operações e que “nada foi encontrado”, garantindo também que nunca recebeu qualquer pedido de validação ou confirmação.
Um caso que pode não ser isolado
Destaca o mesmo jornal que existe pelo menos outro empresário que terá sido lesado em circunstâncias semelhantes, com prejuízos a rondar os 10.000 mil euros, embora tenha optado por não prestar declarações públicas.
A existência de mais do que um caso conhecido reforça as preocupações em torno da segurança das plataformas digitais bancárias, sobretudo em contexto empresarial.
Regras de segurança a ter em conta
De acordo com o site do Banco de Portugal, os utilizadores devem confirmar sempre se a instituição financeira está autorizada a prestar serviços bancários ou de pagamento em Portugal antes de realizarem qualquer operação.
É ainda fundamental aceder diretamente ao endereço eletrónico da instituição, verificar se começa por https://, evitar links em emails e nunca divulgar dados confidenciais de acesso ao serviço de homebanking.
Conforme a mesma fonte, após realizar operações bancárias ou compras online, os clientes devem guardar os registos e consultar regularmente os movimentos da conta para detetar eventuais irregularidades.
O Banco de Portugal acrescenta que, se houver suspeita de fraude, o contacto imediato com a instituição bancária e a participação às autoridades são passos essenciais para limitar prejuízos e apurar responsabilidades.
















