O grupo Valérius vai avançar com um despedimento coletivo de 22 trabalhadores na unidade de Alcains, em Castelo Branco, decisão que volta a colocar a empresa no centro das preocupações laborais da região. De acordo com a SIC Notícias, a medida está prevista para o final de dezembro e surge num contexto em que não há indicação de que a fábrica venha a encerrar, embora o ambiente local volte a refletir apreensão.
Segundo a mesma fonte, a empresa tinha sido recuperada em 2022, depois de um período marcado pela falência da antiga Dielmar, cuja história incluía mais de oito milhões de euros de investimento público sem resultados que evitassem o fecho.
Uma fábrica reaberta e agora de novo em ajuste
A recuperação da unidade foi anunciada com a manutenção de cerca de 200 postos de trabalho, além da adaptação da produção a mercados considerados mais adequados ao contexto atual da indústria. O grupo Valérius, que já tinha intervindo noutras empresas do setor, beneficiou de apoios estatais e comunitários, recebendo mais de 15 milhões de euros através do fundo de capitalização e resiliência inserido no PRR.
Acrescenta a publicação que, desde então, o número de trabalhadores tem vindo a diminuir. Os dados financeiros associados ao passado da empresa incluem uma dívida superior a 17 milhões de euros acumulada antes da recuperação, elemento que marcou vários momentos da evolução da Dielmar ao longo das últimas décadas.
História recente e o impacto na comunidade
A fábrica, fundada em 1965, chegou a empregar mais de 400 pessoas e teve sempre um papel relevante no concelho de Castelo Branco, tanto pela tradição da alfaiataria como pelo peso económico que representava. O passado recente, porém, tem sido descrito como sinuoso, marcado por encerramentos, reaberturas e processos de apoio público.
O atual ajustamento surge num contexto de mercado que tem levado várias empresas do setor têxtil a rever estruturas e custos. O autarca local, citado pela mesma fonte, afirma ter recebido garantias da liderança do grupo de que o futuro da empresa não está em causa e que o despedimento agora anunciado reflete necessidades operacionais e não uma nova ameaça de fecho.
Entre expectativas e incertezas
Segundo a SIC Notícias, a população de Alcains acompanha o processo com atenção, recordando o impacto que o encerramento anterior teve na região. O anúncio dos cortes reavivou esse histórico, embora a continuidade da fábrica tenha sido reiterada pelas entidades envolvidas.
Para muitos dos trabalhadores, a decisão representa mais um capítulo numa empresa cuja trajetória tem alternado entre recuperação e retração, num setor particularmente exposto às flutuações de mercado.
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