A atividade sismovulcânica na ilha Terceira, nos Açores, levou a um novo reajuste dos níveis de vigilância científica e de proteção civil. De acordo com a agência de notícias Lusa, o Instituto de Vulcanologia da Universidade dos Açores decidiu elevar para V3 o alerta sobre o Sistema Vulcânico Fissural Oeste, depois de nova avaliação técnica no Gabinete de Crise. O mesmo nível foi mantido no Vulcão de Santa Bárbara, onde os registos permanecem acima dos valores usuais há mais de dois anos.
O mês de novembro manteve um comportamento sísmico recorrente, ainda que de baixa magnitude, ultrapassando os níveis de referência habituais. Escreve a agência noticiosa que esse acréscimo se concentrou sobretudo no setor ocidental da ilha, abrangendo o vulcão central e o alinhamento fissural contíguo.
Verificou-se uma “deformação crustal”
Acrescenta a agência noticiosa que também se verificou “deformação crustal” moderada, um dos indicadores que motivou a reunião técnica e a revisão do quadro de alerta.
Apesar da ausência de sinais magmáticos ou hidrotermais relevantes, o IVAR considerou prudente reforçar a monitorização devido ao cruzamento estrutural na zona dos Mistérios Negros, local onde ambos os sistemas se articulam geologicamente. Este ponto representa um corredor de fratura com potencial para transmitir energia sísmica ou deformação, o que justificou a manutenção e subida dos níveis de atenção.
Histórico recente que ajuda a contextualizar
Foi no início de novembro que o Vulcão de Santa Bárbara, também nos Açores, transitou para o nível V3, sinalizando um patamar mais elevado de vigilância. O instituto recorda que o comportamento anómalo se iniciou em junho de 2022 e teve um pico expressivo em janeiro de 2024, quando foi registado um sismo de magnitude 4.5 na escala de Richter. A Lusa indica que, nos meses seguintes, a instabilidade oscilou, levando à redução do alerta para V2 no final de 2024, num cenário provisório que agora volta a alterar-se.
O relatório evidencia que o número de eventos sentidos pela população tem aumentado, embora sem sinais associados a subida de magma ou libertação anómala de gases. Tal apreciação reforça o caráter preventivo da decisão e sustenta a recomendação de que se mantenham medidas de autoproteção adequadas às condições em curso. O CIVISA acompanha o processo e alerta para riscos secundários, como a possibilidade de movimentos de vertente ou colapsos associados a taludes instáveis, caso a sismicidade venha a intensificar-se.
Monitorização contínua e possibilidade de novo reajuste
O instituto mantém equipas dedicadas a atualizar dados instrumentais e comunicações de risco. O Gabinete de Crise afirma que qualquer alteração do padrão observado pode originar outro reajuste dos níveis de alerta e reforça que a vigilância permanece ativa. A população é aconselhada a seguir orientações oficiais, sobretudo se ocorrerem sismos de maior magnitude ou alterações no comportamento do solo.
O cenário atual não aponta sinais eruptivos iminentes, mas evidencia um ciclo de instabilidade que será acompanhado ao detalhe. A decisão de subir o alerta no Sistema Vulcânico Fissural Oeste surge neste contexto, cruzando ciência, prevenção e leitura de sinais discretos que podem evoluir ou dissipar-se.
















