Vários operadores da linha SNS24 estão a denunciar alegadas práticas laborais que incluem descontos salariais por pausas para necessidades básicas, como ir à casa de banho ou beber água. De acordo com o Jornal de Notícias, os relatos surgem de profissionais que preferem manter o anonimato e apontam para um modelo de trabalho que consideram insustentável.
Os trabalhadores dizem que o tempo utilizado em pausas não é remunerado, uma situação que, afirmam, tem impacto direto no bem-estar físico e psicológico. As denúncias surgem num contexto em que muitos destes profissionais operam através de recibos verdes, sem vínculo contratual permanente.
Pausas que pesam no salário
Segundo o mesmo jornal, os operadores recebem cerca de 10 euros brutos por hora, valor que sobe para 11 euros no regime presencial. No entanto, alegam que qualquer interrupção na atividade representa uma perda imediata de rendimento. Um dos profissionais citados pelo jornal explica: “Se eu quiser parar meia hora para comer, esses minutos não são pagos.” O mesmo trabalhador acrescenta que há turnos prolongados em que os operadores permanecem “sete ou oito horas seguidas” sem pausas.
A questão do vínculo laboral é outro dos pontos mais contestados. Os operadores alegam que, apesar de serem classificados como prestadores de serviços, cumprem horários definidos e seguem regras semelhantes às de trabalhadores com contrato. Conforme a mesma fonte, esta realidade levanta dúvidas sobre a natureza da relação laboral. Além disso, os profissionais sublinham que não têm acesso a férias pagas, subsídios ou direito à greve.
“Somos pessoas, não máquinas”
Outro operador ouvido pelo Jornal de Notícias descreve a situação como “insustentável”. Afirma ainda que “todo o tempo que precisamos para necessidades básicas, como beber água ou utilizar a casa de banho, é descontado”. A mesma fonte acrescenta que os trabalhadores consideram que esta prática afeta não só a sua saúde, mas também a qualidade do atendimento prestado aos utentes da linha SNS24.
A Altice Portugal rejeitou as acusações e garantiu que os operadores atuam como trabalhadores independentes. A empresa refere que a gestão dos horários é feita “em articulação com os próprios prestadores de serviços”, tendo em conta as suas disponibilidades. Ainda assim, escreve o jornal, a operadora não respondeu diretamente às questões relacionadas com os alegados descontos associados às pausas.
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