A DIGI garante que a sua prioridade em Lisboa, em 2026, é pôr fim às falhas de cobertura no Metro, assumindo que a falta de rede em linhas como a azul e a verde é hoje uma das principais queixas de clientes e prometendo uma solução temporária enquanto o novo sistema não fica concluído.
De acordo com o Notícias ao Minuto, a posição foi transmitida por Valentin Popoviciu, diretor executivo e de estratégia e operação da operadora, num encontro com jornalistas, onde defendeu que a cobertura no Metro é urgente e “precisamos disto amanhã”, referindo que quer levar a mensagem à nova gestão do Metropolitano de Lisboa.
Segundo a DIGI, existe um contrato para um “novo sistema” que deverá estar pronto até ao final de 2026, mas a empresa insiste que é essencial uma solução intermédia que permita melhorar rapidamente a experiência de quem usa o Metro no dia a dia.
Linhas em falta e o que já existe
A operadora diz ter tido acesso à Linha Vermelha em dezembro e também à Linha Amarela, mas sublinha que isso não chega, porque as linhas azul e verde são determinantes para a cobertura no coração da cidade e para a utilização diária por muitos passageiros.
Este tema não é novo na vida do Metro: a qualidade de rede varia por linha e por operador, e medições publicadas em 2025 pela DECO PROteste apontavam a Linha Vermelha como a melhor avaliada, enquanto a DIGI surgia como “ainda fora da rede” no Metro de Lisboa.
Nos últimos meses, também outras operadoras têm comunicado reforços no Metro, numa corrida para garantir melhor cobertura em estações e túneis, onde o sinal é historicamente mais difícil de manter estável.
Porque é que a cobertura no Metro é tão difícil
Ao contrário da rede “na rua”, a cobertura no Metro depende de infraestruturas específicas (como sistemas distribuídos de antenas e equipamentos dedicados em túneis), o que exige coordenação com o operador do transporte e um calendário de instalação mais complexo.
A própria DIGI tem acusado dificuldades na instalação e quer uma maior colaboração institucional, argumentando que o atraso penaliza os utilizadores que já aderiram ao serviço e esperam ter comunicações estáveis durante as deslocações.
Do lado do setor, o tema é especialmente sensível porque a cobertura no Metro influencia a perceção de qualidade de rede numa cidade onde milhares de pessoas passam longos minutos por dia em túneis e estações.
O plano para 2026 e os números da operadora
No mesmo encontro, a DIGI indicou que continua a expandir a sua rede móvel e que em 2025 ultrapassou os 4.600 sites equipados com tecnologia 4G, dos quais cerca de 2.600 já teriam 5G, apontando para mais 500 sites em 2026 e reforço de cobertura “indoor” com sistemas dedicados.
A operadora disse ainda que conta com 55 pontos de venda em Portugal e mais de 1.500 trabalhadores, e que no final de setembro tinha 813 mil serviços ativos, incluindo 443 mil números móveis e 150 mil clientes de fibra, muitos com televisão incluída.
Apesar destes números, a DIGI evitou detalhar investimento total em Portugal, remetendo mais informação para um momento posterior, e insistiu que para o cliente o essencial é ter rede onde ela falha, e o Metro está no topo dessa lista.
O que os passageiros podem esperar
Para quem usa o Metro de Lisboa, a mensagem prática é que a operadora está a tentar acelerar o processo e admite uma solução temporária, mas que o “projeto de fundo” tem horizonte até ao final de 2026, o que deixa 2026 como ano decisivo para fechar o fosso de cobertura.
Entretanto, e segundo o Notícias ao Minuto, a discussão sobre rede no Metro continua a mexer com o mercado, porque não é apenas uma questão técnica: é um fator de concorrência real entre operadoras num espaço onde o telemóvel já é ferramenta de navegação, trabalho, pagamentos e emergência.
A pressão agora recai também sobre a articulação com a administração do Metro, já que a DIGI pede ajuda para acelerar acessos e instalações e evitar que a solução “definitiva” chegue tarde para quem já mudou de operadora.
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