Uma camisola com o número 64 e o nome Ocasio, usada por Bad Bunny no espetáculo do intervalo da Super Bowl, foi produzida em Portugal, na fábrica da Sidi, em São Salvador do Campo, Santo Tirso, a pedido da Zara, segundo relato da empresa e informações divulgadas pela imprensa.
A peça chamou a atenção ainda antes de amanhecer em Portugal, quando começou a circular que seria um artigo da Zara. Mais tarde, foi revelada a origem do fabrico, com destaque para o facto de ter sido uma encomenda feita “em sigilo”, com prazos apertados.
De acordo com o que foi noticiado, o pedido terá chegado à Sidi nos últimos dias de janeiro e o processo, amostra, aprovação e produção, decorreu em poucos dias, resultando num lote de mil unidades expedidas a 2 de fevereiro.
O pedido, o prazo e o segredo
A história foi relatada pelo portal ECO, com declarações da CEO Diana Costa, que diz que a equipa sabia que a peça era para Bad Bunny, mas desconhecia em que evento seria usada. A confidencialidade foi tratada como regra do projeto do início ao fim.
Segundo o mesmo relato, a amostra foi feita em quatro dias e só depois de validação foi avançada a produção. A rapidez do processo é sublinhada como pouco comum num trabalho com tanta visibilidade pública.
Já na manhã seguinte ao espetáculo, a responsável diz ter reconhecido a camisola “de imediato”, descrevendo o momento como orgulho interno e uma prova de que o sigilo foi mantido até ao fim, apesar do mediatismo.
Como se faz uma peça “de evento” em poucas etapas
O método de trabalho descrito é o habitual neste tipo de relação industrial: a Zara define o modelo pretendido e a fábrica executa o desenvolvimento, ajustando a malha e os detalhes, antes de submeter a proposta para aprovação final.
No caso em causa, a camisola é descrita como sendo de felpo “à americana”, 100% algodão orgânico, com certificação GOTS, obrigatória para quem trabalha com algodão orgânico dentro de determinados requisitos de cadeia.
O detalhe mais comentado foi o bordado/aplicação: o número 64, o apelido Ocasio e elementos gráficos em tiras. A Sidi descreve o trabalho como aplicação de patch, uma diferença relevante face a versões que terão circulado noutros contextos, associadas a estampagem.
A dimensão do lote também chamou a atenção internamente: mil unidades são poucas quando comparadas com encomendas regulares ligadas ao universo Inditex, grupo com o qual a Sidi trabalha há mais de uma década, sobretudo em t-shirts e sweatshirts.
O impacto para a fábrica e a polémica da revenda
O Grupo Sidi é apresentado como um conjunto de três empresas com linha de produção própria, fábrica de confeção e 40 colaboradores, com faturação anual referida na ordem dos 12 milhões de euros, sendo a Inditex responsável por cerca de 30% desse valor.
Após a exposição mediática, a empresa relata dias de maior procura e telefonemas, com pessoas a perguntarem se seria possível comprar a camisola. A resposta, segundo as declarações, é negativa, por razões contratuais e porque a Zara não pretende comercializar a peça.
Segundo o ECO, a própria Zara terá indicado que a colaboração com Bad Bunny serviu para completar a visão artística do artista e que o guarda-roupa do espetáculo, que incluiu bailarinos, banda e orquestra, não foi concebido com intenção de venda ao público.
Ainda assim, horas depois começaram a surgir referências a revendas em plataformas de segunda mão, com valores elevados. De acordo com informação atribuída à Bloomberg, alguns anúncios poderão ter chegado a dezenas de milhares de euros, embora a marca não tenha comentado o fenómeno.
No essencial, a história resume-se a uma viagem improvável: de uma fábrica em Santo Tirso para um dos palcos mais vistos do mundo, num projeto feito com prazos curtos, discrição total e um detalhe, o “64”, que acabou por transformar uma encomenda pequena numa peça gigante em visibilidade.
















