O Continente vai acelerar a presença no retalho alimentar português, com a abertura de 100 novas lojas e a criação de 3.000 postos de trabalho até 2030, num plano que reorganiza formatos e prioridades e que reforça a aposta em proximidade. De acordo com o portal de notícias ECO, o grupo pretende atingir perto de 500 unidades, num caminho que combina novas localizações e remodelações, reorganizando a operação sem qualquer ambição de regressar a aventuras internacionais.
Nos últimos dias, a empresa finalizou os preparativos para inaugurar lojas em Alijó e Pombal, prevendo fechar o ano com 403 espaços no país. Segundo a mesma fonte, as primeiras aberturas de 2026 estão marcadas para zonas densamente urbanas, como Queluz, Alcântara, Campo de Ourique e Malveira.
Primeiros passos de um plano alargado
O objetivo anunciado assenta numa estratégia de cinco anos, que inclui a execução de 150 remodelações ao ritmo anual de 30 intervenções. A operação procura tratar o “histórico” de lojas que precisam de adaptação às novas formas de consumo e aos formatos mais procurados.
No discurso da administração, a aposta nos grandes centros urbanos surge como ponto central, a par de regiões do Interior onde a presença ainda é limitada.
O portefólio atual conta com hipermercados, grandes supermercados e lojas de conveniência, num total que ultrapassa as quatro centenas de espaços próprios. Acrescenta a publicação que ficam de fora desta contabilidade as cerca de 300 unidades em regime de franchising, integradas na rede Meu Super.
Onde cresce e onde se reorganiza
A expansão privilegia o Continente Bom Dia e, em menor escala, o Modelo, adaptando-se à tendência para cabazes mais pequenos e compras mais frequentes. Refere a mesma fonte que os hipermercados continuarão a ser defendidos através de reconfigurações, incluindo reduções de área de venda que tornam alguns formatos mais manejáveis.
Exemplos dessa transformação já ocorreram em centros comerciais, como o Colombo, o Gaia Shopping e o Guimarães Shopping, onde as áreas de venda foram significativamente ajustadas. Este tipo de intervenção pretende responder à diminuição da procura por lojas muito extensas e aumentar o conforto do consumidor.
Digital cresce, mas não substitui
O Continente Online representa cerca de 4% das vendas, um valor acima da média nacional. Conforme a mesma fonte, o maior impulso tem vindo de encomendas rápidas, muitas com valores reduzidos, num movimento que reforça a complementaridade entre loja física e plataforma digital.
Apesar desse crescimento, a administração mantém a convicção de que a experiência de compra em espaço físico continuará a ser dominante, com o digital a desempenhar um papel adicional mas não substitutivo.
Internacionalização fica fora do plano
A Sonae MC afasta qualquer regresso a projetos internacionais, depois de experiências falhadas no Brasil e em Angola. De acordo com o ECO, a empresa considera que o retalho alimentar, sobretudo com sortido alargado, exige uma forte componente local que não pretende replicar noutros mercados.
Ainda assim, o grupo mantém ambições internacionais noutro segmento: a área de saúde e beleza. A Druni, que já opera em Espanha e deu entrada em várias cidades portuguesas, é apontada como o veículo para explorar novas geografias fora da Península Ibérica.
















