Quem compara os preços dos combustíveis em Portugal e Espanha encontra uma diferença significativa, sobretudo na gasolina. Uma análise da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), divulgada esta semana e citada pelo Notícias ao Minuto, conclui que no segundo trimestre de 2026 o principal motivo para essa diferença foi a fiscalidade aplicada em cada país.
Os números ajudam a perceber o contraste. Antes de impostos, gasolina e gasóleo chegaram a ser mais caros em Espanha do que em Portugal. Depois de acrescentada a carga fiscal, porém, a situação inverteu-se de forma expressiva, deixando os consumidores portugueses a pagar mais por litro.
Sem impostos, combustível era mais barato em Portugal
De acordo com a ERSE, no segundo trimestre deste ano, antes da aplicação dos impostos, a gasolina custava em Espanha mais 5,9 cêntimos por litro do que em Portugal. No gasóleo, a diferença era ainda maior: o preço espanhol superava o português em 10,6 cêntimos por litro.
O resultado mudava completamente quando se analisava aquilo que o consumidor efetivamente pagava na bomba. Já depois de contabilizados os impostos, a gasolina era 41,8 cêntimos por litro mais cara em Portugal do que em Espanha, enquanto no gasóleo a diferença atingia os 25,1 cêntimos por litro.
Segundo o regulador, a componente fiscal aplicada em Portugal foi superior à espanhola em cerca de 47,6 cêntimos por litro na gasolina e 35,7 cêntimos por litro no gasóleo. É essa diferença que transforma um combustível que, antes de impostos, era mais barato em Portugal num produto que acaba por chegar ao consumidor a um preço mais elevado.
A ERSE associa parte do diferencial às reduções temporárias de impostos adotadas em Espanha, que ampliaram uma diferença de preços que já existia anteriormente entre os dois países. O regulador deixa, contudo, uma ressalva: estes valores não devem ser interpretados como uma diferença necessariamente permanente ou estrutural entre Portugal e Espanha, precisamente porque foram influenciados por medidas fiscais temporárias adotadas pelas autoridades espanholas.
Portugal acompanhou média europeia
A análise não se limitou à comparação com Espanha. A ERSE avaliou também a evolução dos preços portugueses face aos restantes Estados-membros e concluiu que, entre o primeiro e o segundo trimestre de 2026, Portugal apresentou uma evolução alinhada com a média da União Europeia e da Zona Euro, quer antes quer depois de impostos.
A entidade refere ainda que a carga fiscal portuguesa, medida em euros por litro, se manteve estável durante o período analisado, comportamento semelhante ao observado na generalidade dos países da União Europeia e da Zona Euro. Espanha foi uma das exceções devido às alterações temporárias introduzidas na fiscalidade sobre os combustíveis, circunstância que contribuiu para aumentar a diferença encontrada nas bombas dos dois lados da fronteira.
Combustíveis sobem mais depressa do que descem?
A ERSE analisou também outra perceção frequente entre os consumidores: a ideia de que gasolina e gasóleo sobem rapidamente quando as cotações internacionais aumentam, mas demoram mais a baixar quando acontece o movimento contrário. O regulador procurou identificar aquilo a que chama efeito «foguete-pluma» e concluiu que não existe evidência de que esse comportamento aconteça de forma persistente no mercado português.
“O estudo não encontrou evidência de um efeito “foguete-pluma” persistente, isto é, de que os preços na bomba subam sistematicamente mais depressa do que descem”, refere a ERSE, citada pelo Notícias ao Minuto. Na gasolina, não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre a transmissão das subidas e das descidas. No gasóleo, foi observada uma pequena diferença nas primeiras semanas, mas esta deixou de ser estatisticamente significativa ao fim de quatro semanas.
Preço na bomba não depende diretamente apenas do petróleo
A ERSE deixa ainda outro esclarecimento importante para compreender a evolução dos preços. A referência utilizada na formação dos valores pagos pelos consumidores não é diretamente a cotação do petróleo Brent, mas sim as cotações internacionais da gasolina e do gasóleo já refinados. Isto significa que uma subida ou descida do petróleo bruto não tem necessariamente uma tradução imediata ou proporcional no preço final do litro de combustível.
Segundo a análise citada pelo Notícias ao Minuto, a evolução dos preços portugueses foi explicada sobretudo pela trajetória das cotações internacionais dos produtos refinados. A isso juntam-se depois outros componentes, entre os quais a fiscalidade, que foi precisamente o fator decisivo para explicar por que razão, no segundo trimestre de 2026, abastecer gasolina ou gasóleo saiu mais caro em Portugal do que em Espanha.
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