As temperaturas elevadas que atingem Portugal continental estão a levar várias autarquias a ativar planos de contingência, abrir abrigos climatizados e reforçar o apoio às populações mais expostas ao calor. Segundo a Meteored, a massa de ar quente e seco que afeta o país colocou os serviços municipais de proteção civil em alerta, numa altura em que o IPMA mantém avisos devido à persistência de temperaturas muito elevadas.
O cenário meteorológico deverá continuar marcado por máximas acima dos 40 ºC em várias regiões, com valores que poderão chegar aos 43 ºC no Vale do Tejo e no Alentejo. Perante este quadro, a Associação Nacional de Municípios Portugueses, em articulação com a Direção-Geral da Saúde, recomendou a adoção de medidas locais para proteger a população, em especial idosos, crianças, doentes crónicos, pessoas em situação de sem-abrigo e trabalhadores expostos ao calor.
Abrigos climatizados e restrições nas horas de maior calor
Entre as principais recomendações está a abertura de abrigos climatizados em edifícios públicos, disponíveis durante o dia, para acolher pessoas que precisem de escapar ao calor extremo. A associação de municípios sugeriu ainda o encerramento de parques infantis e recintos desportivos ao ar livre nas horas de maior exposição solar, bem como a proibição do uso de grelhadores em zonas florestais, devido ao risco acrescido de incêndio.
No Alentejo, uma das regiões mais afetadas pelo calor, Évora ativou o plano municipal de contingência e garantiu o acesso a edifícios com controlo de temperatura. A autarquia ajustou também os horários dos cantoneiros, para que as tarefas mais exigentes terminem antes das 11h00, evitando exposição prolongada nas horas críticas.
Em Beja, foram adotadas medidas excecionais para proteger a saúde da população e reduzir o risco de incêndio rural. A proteção civil local proibiu a utilização de maquinaria agrícola nas horas de maior perigo e ativou um protocolo com as juntas de freguesia para fazer chegar água e bens essenciais a idosos que vivem isolados em zonas rurais.
Odemira, onde há uma forte presença de trabalhadores agrícolas imigrantes, articulou com empresas da região a paragem de atividades em estufas e campos abertos durante os períodos de maior exposição solar. Já Estremoz avançou com a distribuição de água e folhetos de sensibilização em interfaces de transportes públicos.
No Algarve, Faro combina a proteção dos residentes com a resposta à elevada presença turística. Em parceria com concessionários balneares, as autoridades estão a distribuir informação bilingue sobre os riscos da radiação ultravioleta e da desidratação, enquanto os bombeiros sapadores se mantêm preparados para responder a situações clínicas associadas ao calor.
Na Grande Lisboa, a capital abriu os pavilhões do Casal Vistoso e Manuel Castel-Branco como espaços de acolhimento. Para apoiar pessoas em situação de sem-abrigo, algumas estações do Metropolitano, como Oriente, Rossio e Santa Apolónia, permanecem abertas durante a noite, oferecendo locais mais arejados.
Lisboa prolongou ainda o horário de vários equipamentos públicos, incluindo o Parque Florestal de Monsanto, a Biblioteca do Palácio Galveias, o Museu do Design e o Cinema São Jorge. Estes espaços passam a funcionar como pontos de refúgio para quem precisa de se afastar da radiação solar e permanecer em ambientes mais frescos.
Em Cascais, além do encerramento preventivo de recintos desportivos ao ar livre, foi aprovada uma redução excecional de até 25% na tarifa da água para consumo e higiene, com o objetivo de incentivar a hidratação e aliviar o peso financeiro das famílias durante o período de calor intenso.
No Porto, a resposta centra-se sobretudo na assistência social de proximidade. As equipas de rua foram reforçadas para distribuir água e identificar pessoas em situação de maior fragilidade. Os centros de dia prolongaram a permanência dos utentes em salas com ar condicionado e a rede de fontanários públicos foi vistoriada para garantir o funcionamento durante estes dias.
As bibliotecas Almeida Garrett e Pública Municipal, bem como polos do Porto Innovation Hub e museus municipais, estão também disponíveis como locais de permanência em ambiente controlado. A autarquia procura assim reduzir os efeitos das chamadas ilhas de calor urbano, especialmente sentidas em zonas com maior concentração de asfalto e edifícios.
O Governo decretou a situação de alerta em todo o território continental a partir da meia-noite desta sexta-feira, devido ao elevado risco de incêndio e às temperaturas esperadas até segunda-feira. As autoridades apelam ao cumprimento das recomendações de segurança, lembrando que pequenos comportamentos individuais podem fazer diferença na prevenção de problemas de saúde e de incêndios nos próximos dias.
Perante a persistência do calor, a orientação mantém-se: evitar exposição solar nas horas mais quentes, beber água regularmente, procurar locais frescos e acompanhar pessoas mais vulneráveis. Num episódio prolongado, a falta de arrefecimento noturno e a repetição de dias com temperaturas extremas aumentam o risco de desidratação, exaustão pelo calor e outras complicações.
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