A subida dos combustíveis voltou a colocar os bombeiros no centro da pressão financeira. Segundo a agência Lusa e de acordo com a RTP, o Conselho Nacional da Liga dos Bombeiros Portugueses aprovou um manifesto a pedir audiências urgentes ao Presidente da República e ao primeiro-ministro, alegando que as associações podem ver comprometida a sua capacidade financeira e, por arrasto, a resposta operacional no socorro às populações.
Aprovado na Guarda, o manifesto da Liga vai além de um apelo político. A estrutura representativa dos bombeiros reclama medidas urgentes de apoio e quer voltar a discutir com o Ministério da Saúde as condições do acordo ligado ao INEM, bem como os valores pagos no transporte não urgente de doentes.
Pressão maior no transporte de doentes
É sobretudo neste ponto que a preocupação ganha contornos mais concretos. Segundo a RTP, a Liga defende uma atualização dos montantes pagos às corporações, tanto no transporte em contexto de emergência como nas deslocações não urgentes, numa altura em que o aumento dos combustíveis agrava a pressão sobre as contas do setor.
Segundo a mesma fonte, o manifesto sustenta que o INEM se tem recusado a promover reuniões de renegociação do acordo de cooperação, remetendo esse processo para a entrada em vigor da nova Lei Orgânica. Para a Liga, esse compasso de espera já não acompanha a pressão diária sentida no terreno.
Do lado do Executivo, a resposta recente passou por medidas transversais para travar o impacto da escalada dos combustíveis. No site oficial do Governo, foi anunciado um mecanismo extraordinário de apoio ao gasóleo profissional, com reembolso adicional de 10 cêntimos por litro até ao limite de 15 mil litros por veículo durante três meses, a par do reforço do apoio à botija de gás solidária.
O apoio do Governo não fecha o assunto
Além desse mecanismo extraordinário, o Governo aprovou também uma nova redução temporária do ISP, com entrada em vigor a 23 de março. Segundo a informação oficial, o desconto é de 2,6 cêntimos por litro no gasóleo rodoviário e de 1,4 cêntimos na gasolina, inserindo-se num pacote de medidas pensado para conter a subida dos preços.
Ainda assim, a reivindicação dos bombeiros vai além do alívio fiscal ou de um apoio temporário ao combustível. O que a Liga pretende, como resulta da informação avançada pela Lusa e detalhada pela RTP, é uma revisão mais estrutural dos valores pagos pelos serviços prestados, sobretudo numa área sensível como o transporte de doentes não urgentes, onde qualquer desequilíbrio financeiro pode refletir-se rapidamente na operação.
No mesmo manifesto, os bombeiros pedem também ao ministro da Administração Interna que determine à Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil a apresentação de um programa nacional de apoio ao voluntariado, em articulação com a própria Liga. A exigência mostra que, para o setor, a pressão atual não é vista apenas como um problema de combustível, mas como sinal de fragilidades mais vastas no modelo de funcionamento das corporações.
Quem pode sentir o impacto primeiro
Para já, os bombeiros não falam em deixar de socorrer situações urgentes, mas o risco mais imediato surge associado ao transporte de doentes não urgentes e ao equilíbrio financeiro das associações que asseguram esse serviço. É aí que a subida dos custos pode começar a ter reflexos mais visíveis, caso não haja revisão dos pagamentos ou reforço do apoio público.
O aviso ficou também acompanhado de calendário político. Segundo a Lusa, a Liga dos Bombeiros Portugueses vai voltar a reunir o Conselho Nacional a 18 de abril, em Ponte de Sor, e admite então tomar decisões mais firmes se não houver resposta entretanto. A mensagem deixada ao Governo é, por isso, dupla: há urgência financeira no presente e há o risco de o conflito escalar nas próximas semanas.
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