A Volkswagen Autoeuropa vai suspender a produção durante um período prolongado em 2026, num total de cerca de 70 dias adicionais às paragens técnicas habituais, no âmbito de um processo de reestruturação profunda da fábrica de Palmela. A decisão levanta dúvidas sobre o futuro da unidade, mas a informação disponível aponta para um cenário de transformação industrial e não de encerramento.
De acordo com o portal de notícias ECO, a administração apresentou à Comissão de Trabalhadores um calendário de produção para 2026 que prevê paragens significativas, associadas à adaptação da fábrica a novos modelos, à eletrificação das linhas e a investimentos ligados à descarbonização. Os trabalhadores já aceitaram o recurso ao lay-off como instrumento para atravessar estes períodos.
Calendário fora do habitual
Estas paragens extraordinárias somam cerca de 70 dias, além das interrupções normais que a Autoeuropa realiza todos os anos para manutenção. Este ano, por exemplo, a fábrica suspende a produção a partir de 19 de dezembro até 12 de janeiro, ainda que com alguns turnos a operar ao fim de semana.
Quando o plano para 2026 foi apresentado, a empresa colocou em cima da mesa várias ferramentas legais, incluindo o encerramento temporário de atividade, lay-off e diferentes regimes de horários. A Comissão de Trabalhadores defendeu a manutenção do atual modelo de organização do tempo de trabalho, bem como a preservação dos rendimentos.
Lay-off negociado com garantias
As propostas iniciais foram consideradas penalizadoras, o que levou a negociações adicionais. Conforme a mesma fonte, acabou por ser aceite o lay-off, com um compromisso reforçado da empresa no pagamento dos salários. A legislação prevê que a Segurança Social suporte 46,6% da retribuição, ficando o trabalhador com uma perda direta de 33%.
No pré-acordo alcançado, a Autoeuropa compromete-se a assegurar 28,4% do salário e do subsídio de turno, sendo os restantes 25% compensados através de down days, também pagos pela empresa. O portal de notícias explica que esta solução já tinha sido aplicada em 2024, embora então com um esforço financeiro maior por parte da empresa.
Investimento e transição industrial
A paragem prolongada está diretamente ligada à preparação da fábrica para novos modelos. Segundo a mesma fonte, Palmela vai iniciar uma fase de transição com a produção do novo T-Roc híbrido, mantendo em exclusivo mundial a montagem da versão de combustão antes da passagem para um modelo totalmente elétrico.
Esse processo culminará com o ID.Every1, viatura elétrica de quatro lugares, com entrada no mercado prevista para 2027 e um preço de referência de 20.000 euros. Refere a mesma fonte que as paragens servirão para adaptar a linha de montagem a esta nova geração de veículos.
Descarbonização e apoios comunitários
Outro eixo central do investimento é a construção de uma nova unidade de pintura, que permitirá substituir o uso de gás natural nos fornos por energia elétrica. De salientar que esta opção levou a Autoeuropa a abandonar um consórcio do PRR, por incompatibilidade com regras ambientais.
No âmbito do plano de descarbonização, a fábrica vai receber 30 milhões de euros em apoios comunitários, destinados a alavancar um investimento global de cerca de 300 milhões. A empresa enquadra este processo na estratégia Zero Impact Factory do Grupo Volkswagen, que prevê uma redução de cerca de 85% das emissões de CO2.
Trabalho, salários e compromissos
A Comissão de Trabalhadores sublinha que “não há qualquer justificação para reduzir turnos, equipas ou trabalhadores”, defendendo que todos são essenciais numa fase de investimento e crescimento, cita o ECO. Ainda não existe acordo quanto aos aumentos salariais, estando em cima da mesa uma proposta de 15%, com um mínimo de 150 euros.
Apesar disso, há entendimentos prévios relevantes: não haverá despedimentos em 2026, estão fixados vários dias de não produção e foi acordado o reforço das contribuições da empresa para o fundo de pensões. Os pontos negociados terão ainda de ser validados em plenário, antes de se tornarem definitivos.
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