O aeroporto de Lisboa vai adotar novas regras para descolagens, que obrigam os aviões a subir mais rapidamente e atingir maiores altitudes em menos tempo. De acordo com o jornal Correio da Manhã, a medida pretende reduzir o impacto do ruído sobre zonas habitadas próximas do aeroporto.
“Iremos desviar ligeiramente a rota e exigir um gradiente de subida às aeronaves que descolam na pista 02 mais exigente para que a altitude a que sobrevoem as zonas populosas e de bairros residenciais seja num ponto de nível de voo mais elevado”, explicou Pedro Ângelo, presidente da NAV, em declarações citadas pelo mesmo jornal. Esta estratégia permite que os aviões atinjam altitudes seguras rapidamente, diminuindo a exposição das populações ao ruído.
As novas regras vão aplicar-se sobretudo aos aviões que partem do Aeroporto Humberto Delgado, a atual infraestrutura de Lisboa, cuja proximidade ao centro urbano tem motivado várias preocupações sobre ruído. Acrescenta a agência noticiosa que a NAV acredita que esta solução é temporária até à construção do novo aeroporto.
Novo aeroporto em Alcochete
Pedro Ângelo defende a construção do novo aeroporto Luís de Camões, em Alcochete, que substituirá o Aeroporto Humberto Delgado. Conforme a mesma fonte, o novo aeroporto terá duas pistas e aumentará a capacidade operacional da região, permitindo lidar com o crescimento do tráfego aéreo de forma mais eficiente.
O presidente da NAV sublinhou que “não faz sentido ter um aeroporto junto ao centro da cidade”, reforçando que a infraestrutura atual está limitada pelo espaço urbano envolvente. A transição para Alcochete é vista como essencial para a expansão do transporte aéreo na região de Lisboa.
Crescimento gradual do tráfego
Entretanto, foi abandonada a meta de 45 movimentos por hora no aeroporto atual. A NAV trabalha agora com a ANA – Aeroportos de Portugal e a ANAC num cenário de aumento gradual, passando dos 38 para 40 e depois 42 movimentos por hora, escreve a agência. Esta abordagem pretende compatibilizar crescimento do tráfego com segurança operacional e redução do ruído.
A implementação faseada destas alterações permitirá monitorizar o impacto das novas regras nas rotas e ajustar gradualmente o número de movimentos, refere a mesma fonte.
Reestruturação militar para o novo aeroporto
A construção do aeroporto Luís de Camões implica também a desmilitarização de terrenos atualmente ocupados pelo Campo de Tiro da Força Aérea em Alcochete. O ministro da Defesa Nacional anunciou que o campo será transferido para Alter do Chão, em Portalegre.
Segundo o governante, a mudança do Campo de Tiro é “um passo fundamental para que se proceda à desmilitarização dos terrenos” e viabilizar a construção do novo aeroporto, explicando que a operação é essencial para libertar espaço e permitir obras de grande dimensão.
Cronologia da decisão e expectativas
O Governo aprovou, em maio de 2024, a construção do aeroporto em Alcochete, com vista à substituição integral do Aeroporto Humberto Delgado, refere o Correio da Manhã. Pedro Ângelo explica que, até que a nova infraestrutura esteja operacional, as alterações nas descolagens atuais vão minimizar o ruído para os residentes e permitir uma gestão mais eficiente do tráfego aéreo.
Além da redução do impacto acústico, estas medidas são também vistas como preparatórias para a futura operação do aeroporto, quando o tráfego deverá aumentar de forma sustentada.















