O Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto, prepara-se para uma transformação estrutural centrada na construção de um novo hangar de manutenção da TAP, um investimento que altera o posicionamento da infraestrutura no sistema aeroportuário nacional e projeta efeitos a médio prazo na operação da companhia aérea e na economia regional.
Mais do que um aumento pontual de voos ou de passageiros, está em causa a criação de capacidade industrial permanente, com impacto direto no emprego especializado, na autonomia operacional da TAP e na consolidação do Porto como plataforma estratégica fora da área de Lisboa.
Investimento que muda a função do aeroporto
De acordo com o jornal Expresso, a TAP vai investir 20 milhões de euros na construção de um hangar de manutenção no Aeroporto Francisco Sá Carneiro, marcando a primeira vez que a companhia instala no Porto uma unidade desta natureza.
O novo hangar terá capacidade para receber dois aviões da família Airbus A320 ou modelos equivalentes, permitindo à transportadora realizar no norte intervenções técnicas que até agora dependiam de outras localizações ou de serviços externos.
Escreve o jornal que a construção do hangar deverá demorar pelo menos dois anos, um prazo que inclui não apenas a obra física, mas também a preparação operacional e a formação de técnicos especializados. Acrescenta a publicação que a TAP prevê empregar cerca de 200 trabalhadores nesta área no Porto, somando novos técnicos aos cerca de 20 que já operam atualmente na região Norte, num processo gradual de reforço de competências.
Autonomia como objetivo estratégico
Note que a aposta na manutenção própria é vista pela gestão da TAP como um eixo central da estratégia pós-pandemia, depois de anos de desinvestimento e do encerramento de operações fora de Portugal.
Conforme a mesma fonte, o objetivo passa por reduzir a dependência de prestadores externos, aumentar a eficiência de custos e garantir maior controlo sobre a qualidade técnica, independentemente do futuro acionista da companhia.
Crescimento do aeroporto acelera decisão
O crescimento do Aeroporto do Porto foi determinante para esta decisão, num contexto em que a infraestrutura já movimenta um número de passageiros semelhante ao de Lisboa em 2012, ano da privatização da ANA.
A pressão da procura levou o Governo e a ANA a iniciarem o planeamento de uma futura expansão do aeroporto, evitando constrangimentos estruturais semelhantes aos registados na capital.
Escreve o jornal que a dinâmica do aeroporto será reforçada com novas rotas da TAP, incluindo ligações à Terceira, a Praia, em Cabo Verde, e a Telavive, além do reforço da ligação Porto-Boston ao longo de todo o ano.
Acrescenta a publicação que, em paralelo, a ANA solicitou à NAV o aumento do número de movimentos por hora, de 24 para 26, um processo já em avaliação, mas cuja implementação só deverá ocorrer no final do ano.
Um polo industrial com impacto nacional
Realça o Expresso que o novo hangar no Porto insere-se numa estratégia mais ampla de reforço da área de manutenção da TAP, num momento em que a frota Airbus Neo se aproxima de ciclos de revisão mais exigentes a partir de 2027.
Segundo a mesma fonte, a companhia definiu como meta, ainda sem calendário fechado, quadruplicar as receitas da manutenção para mil milhões de euros, consolidando esta área como um dos pilares financeiros da transportadora nos próximos anos.
Leia também: Duas torres ‘gigantes’ vão ser construídas nesta cidade portuguesa: este será o valor mínimo dos apartamentos
















