Os pneus sem ar já começaram a circular em estradas japonesas, mas ainda estão longe de chegar aos automóveis comuns. A tecnologia, desenvolvida pela Bridgestone, dispensa pressão de ar, promete eliminar o risco de furos e reduzir necessidades de manutenção, embora continue limitada a pequenos veículos de mobilidade urbana.
Segundo o Notícias ao Minuto, a nova geração dos pneus AirFree foi introduzida nos Okueigenji Keiryu, pequenos veículos autónomos de mobilidade sustentável usados na cidade japonesa de Higashiomi. A entrada em funcionamento aconteceu a 8 de julho e marca uma nova fase de um conceito que já vinha a ser testado no Japão.
Pneus equipam pequenos veículos autónomos
Para já, os pneus AirFree vão ser utilizados apenas nestas viaturas de baixa velocidade, num serviço de mobilidade desenvolvido em Higashiomi com vários parceiros locais. A solução foi pensada sobretudo para zonas onde o acesso aos transportes é mais difícil e onde a população envelhecida precisa de alternativas de deslocação.
Na região montanhosa em causa, mais de 60% dos residentes são idosos e a falta de opções de transporte tem vindo a agravar-se. A Bridgestone defende que esta tecnologia pode ajudar a responder a problemas sociais ligados à mobilidade, reduzindo também interrupções de serviço causadas por furos ou por manutenção relacionada com a pressão dos pneus.
A principal diferença face aos pneus tradicionais está precisamente na ausência de ar. Como não dependem de pressão interna, não furam e não obrigam a verificações regulares da pressão. Em teoria, isto permite reduzir paragens, simplificar a manutenção e aumentar a fiabilidade em serviços de transporte contínuo.
Velocidade máxima ainda é muito limitada
Apesar das vantagens, a tecnologia continua a ter um obstáculo importante. Os pneus AirFree só podem ser usados em veículos que circulem até 20 quilómetros por hora, o que impede, para já, a sua aplicação em automóveis comuns ou em veículos que circulem em vias rápidas.
A composição também é diferente da de um pneu convencional. Os AirFree usam uma estrutura lateral com raios azuis, responsável por suportar a carga, uma resina de microplástico e uma fina camada exterior de borracha, que faz o contacto com o piso.
De acordo com a Bridgestone, estes pneus conseguem circular em vários tipos de contexto, incluindo ruas com piso degradado e zonas com inclinações acentuadas. Citado pelo Nikkei, o vice-presidente da empresa, Toshiyuki Hasanuma, explicou que, face a versões anteriores, os veículos equipados com AirFree são mais silenciosos e abanam menos.
Produção em série ainda não tem data
A chegada dos pneus sem ar a um serviço real de mobilidade representa um passo importante para a tecnologia, mas não significa que esteja pronta para utilização generalizada. A Bridgestone poderá retirar lições deste projeto para desenvolver futuras soluções, mas continua a enfrentar limitações técnicas antes de levar o conceito para outros tipos de veículos.
Por enquanto, não há uma data prevista para a produção em série nem para a chegada destes pneus ao mercado automóvel tradicional. A aplicação permanece restrita a veículos pequenos, lentos e usados em contextos controlados.
Ainda assim, o avanço mostra uma direção possível para o futuro da mobilidade. Pneus que não furam, exigem menos manutenção e podem reduzir interrupções de serviço são uma promessa apelativa, mas o “senão” continua a ser claro: esta tecnologia ainda só funciona em veículos muito lentos.
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