A travessia fluvial entre Cacilhas, em Almada, e o Cais do Sodré, em Lisboa, vive um momento histórico: os famosos cacilheiros laranjas começam a ser substituídos por navios elétricos modernos. De acordo com o portal Meteored, estas embarcações, que durante quase cinco décadas transportaram milhões de passageiros, encerram um capítulo emblemático do quotidiano de duas cidades ligadas pelo rio Tejo. “Chegou a hora da despedida”, lê-se na publicação.
Os novos barcos elétricos são mais rápidos, ecológicos e silenciosos, podendo atingir 30 km/h. Segundo a mesma fonte, têm capacidade para 540 passageiros e 20 bicicletas, além de estarem equipados com ar condicionado, tomadas elétricas e casas de banho, garantindo conforto adicional aos utilizadores.
Acrescenta a publicação que a modernização da frota da Transtejo implicou um investimento de cerca de 90 milhões de euros, dos quais 57 milhões foram para aquisição e 33 milhões destinados à manutenção até 2035.
O futuro das embarcações históricas ainda não foi definido. Refere a mesma fonte que algumas das unidades com mais de 30 anos de serviço poderão ser abatidas, mas existe a possibilidade de reaproveitamento, como aconteceu com o Rio Tejo Segundo, transformado num restaurante flutuante na Baía do Seixal.
História de cinco décadas
Para compreender a importância dos cacilheiros, é necessário recuar à década de 1970, quando a Transtejo/Soflusa iniciou a modernização da frota. Conforme a mesma fonte, entre 1977 e 1982 foram encomendadas 12 embarcações com capacidade para 500 passageiros aos estaleiros de São Jacinto, Foznave e Argibay, substituindo barcos de madeira com mais de 300 toneladas.
O ano de 1980 marcou a entrega do primeiro navio da classe “Cacilhense”, dando início à nova geração de ferries. Segundo a mesma fonte, o nome “cacilheiro” já estava ligado à identidade destes barcos desde os anos 1930, quando o Cais de Cacilhas passou por grandes obras de ampliação.
Até à construção da Ponte 25 de Abril, inaugurada em 1966, estes transportes fluviais eram a única ligação entre as duas margens do Tejo. Apesar das mudanças tecnológicas, os ferries conseguiram manter a sua relevância e adaptaram-se ao longo das décadas, permanecendo um marco na memória de lisboetas e turistas.
Legado e despedida
O tempo dos cacilheiros parece ter chegado ao fim, mas a sua presença continuará a fazer parte da paisagem e da história da cidade. Acrescenta o site Meteored que as travessias foram fundamentais para ligar Lisboa e Almada, contribuindo para o desenvolvimento económico e social da região. As embarcações modernas inauguram uma era de transportes mais sustentáveis, mas a imagem dos ferries laranjas, percorrendo o Tejo, ficará para sempre nas memórias de quem os utilizou.
A despedida dos cacilheiros simboliza não apenas a evolução tecnológica, mas também a passagem de uma tradição que marcou várias gerações. Refere a mesma fonte que, ao longo de quase 50 anos, estas embarcações tornaram-se um ícone da cidade, reconhecido tanto por habitantes como por visitantes.
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