Um pormenor de design presente em muitos carros modernos passou de tendência estética a questão de segurança rodoviária, levando as autoridades chinesas a avançar com uma mudança profunda nas regras do setor automóvel. Em causa estão as maçanetas embutidas na carroçaria, cuja utilização ficará condicionada nos próximos anos.
A decisão afeta diretamente fabricantes e consumidores num mercado que lidera a transição para os veículos elétricos, obrigando à introdução de soluções mecânicas que garantam a abertura das portas mesmo em situações de falha elétrica.
Quando o design falha em situações de emergência
As maçanetas embutidas tornaram-se populares por não sobressaírem da carroçaria, contribuindo para linhas mais limpas e aerodinâmicas. Segundo o jornal Correio da Manhã, este tipo de solução é especialmente comum em veículos elétricos vendidos na China.
O problema surge quando, em caso de acidente, o sistema elétrico deixa de funcionar. Escreve o jornal que, nessas circunstâncias, a ausência de um mecanismo manual pode impedir o acesso rápido ao interior do veículo.
Um caso que acelerou a mudança
A preocupação com este tipo de maçanetas ganhou maior visibilidade após um acidente ocorrido em outubro, em Chengdu. De acordo com a mesma fonte, os socorristas não conseguiram abrir as portas de um automóvel elétrico da marca Xiaomi que se incendiou após uma colisão.
O condutor acabou por morrer no local, acrescenta a publicação, num episódio que gerou debate público sobre a segurança dos veículos com sistemas de abertura exclusivamente elétricos.
Novas regras do Governo chinês
Na sequência destes alertas, o Ministério da Indústria e das Tecnologias da Informação anunciou novas normas para o setor. Refere a mesma fonte que, a partir de 2027, os veículos vendidos no mercado chinês terão de estar equipados com mecanismos mecânicos de abertura das portas.
Esta exigência aplica-se tanto às portas exteriores como aos sistemas de abertura no interior do habitáculo, explica o site.
Período de adaptação para os fabricantes
Os modelos que já se encontram homologados não terão de cumprir de imediato as novas regras. Segundo o Correio da Manhã, o Governo concedeu um prazo adicional de dois anos para que esses veículos sejam adaptados. O ministério justificou a decisão com a necessidade de “melhorar o nível de segurança”, conforme a mesma fonte, sem comprometer a transição tecnológica em curso.
Além da introdução de mecanismos mecânicos, as novas normas impõem mudanças no interior dos veículos. Acrescenta a publicação que os fabricantes terão de reforçar a visibilidade das maçanetas interiores através de sinalização obrigatória. O objetivo é facilitar a identificação dos pontos de abertura em situações de stress ou baixa visibilidade, refere a mesma fonte.
Impacto num mercado líder mundial
A medida surge num contexto em que a China é o maior mercado global de veículos elétricos. Dezenas de construtores operam no país, muitos deles com forte presença internacional.
Segundo dados divulgados em janeiro, o fabricante chinês BYD ultrapassou a norte-americana Tesla em vendas anuais de veículos elétricos em 2025, tornando-se o maior produtor mundial do segmento, escreve o Correio da Manhã.
















